Israel tem comparecimento recorde em eleição que coloca Netanyahu à prova
Os israelenses compareceram às urnas nesta terça-feira em número recorde para decidir, em tempo de guerra, o futuro político do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. A Comissão Eleitoral Central informou que a participação chegou a 74,3%, a taxa mais alta para esta fase da votação desde 1988. As urnas fecharam às 22h no horário de Israel (17h em Brasília).
Longas filas se formaram do lado de fora dos locais de votação no primeiro pleito desde os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023. Os eleitores votaram lidando com o trauma do dia mais sangrento da história recente do país e com as guerras que se seguiram em Gaza, no Líbano e no Irã.
Netanyahu, o primeiro-ministro mais longevo da história de Israel, com 19 anos no cargo, enfrenta o ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas Gadi Eisenkot, que busca retirá-lo do poder com apoio de partidos de direita e de centro. As pesquisas apontam disputa acirrada, sem garantir a nenhum dos dois um caminho fácil para formar governo. Se nenhum dos dois conseguir montar uma coalizão no Parlamento de 120 cadeiras, Netanyahu poderá permanecer interinamente no cargo até a realização de nova eleição.
O comparecimento da minoria árabe, que representa cerca de um quinto da população israelense, pode ser decisivo. O político palestino Osama Saadi, líder da Lista Conjunta, afirmou que houve participação "histórica" dos eleitores palestinos com cidadania israelense, com comparecimento de cerca de 69%, contra aproximadamente 56% na eleição anterior. Ahmed Tibi, candidato de um partido árabe, disse que a participação recorde "abriria caminho para um governo alternativo". Netanyahu exortou seus apoiadores a irem às urnas para contrabalançar a alta participação entre oponentes de esquerda e árabes israelenses.
Para muitos opositores, a eleição gira em torno da responsabilização pelas falhas de segurança de 7 de outubro, quando o ataque matou cerca de 1.200 pessoas e resultou no sequestro de 251. Grupos de oposição prometeram realizar uma investigação nacional, à qual o governo Netanyahu tem se oposto. Eisenkot votou ao lado de Gadi Mozes, um dos sequestrados levados para Gaza, e afirmou que a resposta de Israel foi um fracasso porque o Hamas continua no poder. Ele reiterou o compromisso de desmantelar a capacidade militar e governamental do grupo em Gaza no prazo de 18 meses após assumir o governo.
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