Juros futuros caem em dia de baixa do petróleo e IPCA-15, com eleição em foco
As taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) fecharam em baixa nesta sexta-feira, após avançarem nas duas sessões anteriores. O movimento ocorreu em um dia de recuo do petróleo no exterior, alta dos rendimentos dos Treasuries e divulgação de novos dados de inflação no Brasil, com a disputa eleitoral ainda no centro das atenções dos investidores.
No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,645%, com baixa de 2 pontos-base ante o ajuste de 13,667% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, o DI para janeiro de 2035 recuou 7 pontos-base, a 13,98%, ante 14,054% no ajuste anterior.
O petróleo Brent cedeu após disparar nos últimos dias, mas ainda se manteve em nível elevado, na faixa dos US$ 104 o barril no fim da tarde. Por trás do movimento está a expectativa de que EUA e Irã possam chegar a um acordo de paz, ainda que ataques dos houthis contra a Arábia Saudita continuem ameaçando o fornecimento. Apesar do recuo da commodity, os rendimentos dos Treasuries de dez e 30 anos voltaram a subir, refletindo preocupações com a continuidade da guerra e com a inflação norte-americana. Às 16h33, o Treasury de dez anos subia 1 ponto-base, a 5,171%.
No Brasil, os investidores ponderaram os números mais recentes da pesquisa Datafolha e do IPCA-15. O Datafolha informou na noite de quinta-feira que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém vantagem de 2 pontos sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno da eleição presidencial: 47% a 45%. Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados. Na semana anterior, Lula tinha 46% e Flávio registrava 44%.
O IBGE informou pela manhã que o IPCA-15, prévia da inflação oficial, subiu 0,70% em setembro, após recuar 0,40% em agosto. Em 12 meses, a alta foi de 4,47%, contra 4,24% em agosto. Economistas ouvidos pela Reuters projetavam altas menores, de 0,53% no mês e 4,30% em 12 meses. A abertura mostrou que a alta dos serviços passou de 0,07% em agosto para 0,59% em setembro, enquanto os serviços subjacentes recuaram de 0,50% para 0,28%, conforme cálculos do Bmg. A inflação de serviços intensivos em mão de obra variou de 0,55% para 0,56%, e a taxa média dos núcleos calculados pelo Banco Central foi de 0,22% para 0,34%.
Para Flavio Serrano, economista-chefe do Bmg, o resultado não altera o cenário atual para a Selic, atualmente em 13,75%. Segundo ele, um novo corte no início de novembro dependerá da dinâmica do boletim Focus, que hoje projeta redução de 25 pontos-base, mas inflação de 4,92% este ano, distante da meta de 3%. Já Gabriel Pestana, da Genial Investimentos, avaliou que o IPCA-15 tornou "mais desafiadora" a expectativa de novo corte da Selic em novembro. "A combinação de serviços mais fortes, núcleos acima do esperado e riscos em alimentos e gasolina sinaliza uma inflação pior para o fim do ano", disse. "Se esses sinais persistirem, o Banco Central terá mais motivos para esperar antes de cortar novamente."
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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Por Redação