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Lucros crescem, ações caem: o paradoxo da temporada de balanços

Por Redação
Atualizado em 21/08/2026 às 14:50 schedule 3 min de leitura visibility 8 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Os lucros das empresas brasileiras cresceram no segundo trimestre, mas o avanço dos resultados não encontrou o mesmo entusiasmo na Bolsa. Pelo contrário: as ações do Ibovespa caíram, em média, 1,32% no pregão seguinte à divulgação dos balanços, em uma temporada marcada por uma reação especialmente negativa dos investidores.

A punição não ficou restrita às empresas que decepcionaram. Os papéis de companhias que frustraram as expectativas recuaram, em média, 2,69%, enquanto até aqueles que apresentaram surpresas positivas caíram 0,12%. O mercado intensificou a penalização aos resultados ruins e deixou de premiar quem entregou números acima das projeções. Os dados fazem parte do relatório “Temporada de resultados do 2T26 — Uma temporada fraca de resultados no Brasil”, da XP, assinado pelos estrategistas Fernando Ferreira, Raphael Figueredo, Caio Souza e Antonio Mello.

O quadro tem uma explicação que vai além dos balanços. Os resultados foram divulgados em uma Bolsa já pressionada pela saída de capital estrangeiro, pelo aumento da volatilidade ligada às eleições e por um desempenho inferior ao dos mercados globais. Entre 21 de julho e 14 de agosto, o Ibovespa recuou 3,7% em reais e 6,7% em dólares, enquanto o MSCI ACWI avançou 3,9% em dólares. No mesmo período, houve saída de R$ 15,3 bilhões de capital estrangeiro da Bolsa brasileira.

Na cobertura da XP, as empresas registraram avanço anual de 11,7% na receita, 22,5% no Ebitda e 22,2% no lucro líquido. Os números, porém, precisam ser colocados em perspectiva: Óleo & Gás teve peso importante no desempenho, com crescimento de 79,7% do Ebitda na comparação anual. Excluindo as commodities, os avanços diminuem para 9,6% na receita, 5,2% no Ebitda e 5,8% no lucro líquido. No lucro líquido, 41% das empresas superaram as estimativas da XP, ante 45% no trimestre anterior — a menor proporção de surpresas positivas da série histórica da casa, iniciada no 1T23.

Dos 17 setores analisados, 11 registraram retorno médio negativo no pregão seguinte à divulgação dos resultados. As maiores quedas ocorreram em Saneamento (-5,4%), TMT (-4,2%) e Saúde (-3,9%). Na outra ponta, Educação teve a melhor reação, com alta média de 5,8%, seguida por Construção Civil (+2,3%) e Transportes (+2,0%). A cautela também chegou às expectativas de lucro: as estimativas para 2026 foram reduzidas em 2,8%, enquanto as projeções para 2027 recuaram 0,9%.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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