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Lula aos 80 anos: a 'última dança' do presidente em sua eleição mais difícil

Por Redação
Atualizado em 25/10/2026 às 20:35 schedule 3 min de leitura visibility 3 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Aos 80 anos, o presidente Lula (PT) disputa neste domingo (25/10) o segundo turno da eleição presidencial contra Flávio Bolsonaro (PL) e afirma que esta é sua última campanha pelo cargo. Em comício em São Luís, no Maranhão, em 20 de outubro, declarou a apoiadores que quer um mandato histórico. A sétima campanha presidencial do petista foi lançada em 16 de agosto, no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista — mesmo local de onde liderou greves de metalúrgicos que marcaram sua entrada na política.

A aposta no próprio legado, porém, não garantiu a liderança nas urnas. Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos no primeiro turno, contra 45,16% de Lula — diferença de 1,87 ponto percentual, cerca de 2,2 milhões de votos. O presidente também teve menos votos do que em 2022 em todos os Estados do Nordeste, região que historicamente é uma de suas principais bases eleitorais. Analistas ouvidos pela BBC News Brasil e integrantes da campanha avaliam que esta pode ser a eleição mais difícil disputada pelo petista desde que chegou ao poder. Nenhum candidato que terminou o primeiro turno em segundo lugar conseguiu virar o resultado no segundo turno, mas esta é a disputa com a menor diferença entre o primeiro e o segundo colocado.

Diante da desvantagem, a campanha petista reviu a estratégia. Lula passou a enfatizar os riscos que, segundo ele, a eleição de Flávio representaria para programas sociais como o Bolsa Família, ampliou a presença nas redes sociais e apostou em pautas de forte apelo eleitoral, como a aprovação do fim da escala 6x1 no Congresso. Nas ruas, milhares de pessoas participaram de atos de campanha em diversos Estados, em mobilizações que não se viam desde 2022.

A trajetória até o Planalto foi longa. O metalúrgico que ganhou projeção nacional ao liderar greves no ABC durante a ditadura militar participou da fundação do PT, em 1980, e chegou à Assembleia Nacional Constituinte como deputado federal, em 1986. Perdeu a primeira disputa presidencial em 1989, no segundo turno, para Fernando Collor de Mello, e foi derrotado no primeiro turno por Fernando Henrique Cardoso em 1994 e 1998. Venceu em 2002, após ampliar alianças e adotar discurso voltado também a empresários e à classe média, foi reeleito em 2006 e deixou o governo em 2010 com 83% de aprovação, ajudando a eleger Dilma Rousseff. Preso em 2018, ficou impedido de disputar aquela eleição; em 2021, o Supremo Tribunal Federal anulou suas condenações e devolveu-lhe os direitos políticos. No ano seguinte, voltou à disputa e derrotou Jair Bolsonaro no segundo turno por margem estreita.

Para o professor Cláudio Couto, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), as dificuldades de Lula resultam de uma série de fatores, entre eles as mudanças estruturais no Brasil. Ele aponta que as alterações nas aplicações de emendas parlamentares modificaram a correlação de forças no Congresso e afetaram a forma de governar. O segundo fator é a persistência e a intensidade da polarização política no país, que, segundo ele, está hoje muito mais radicalizada do que no período de disputa entre PT e PSDB.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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