Lula aposta em Trump como 'aliado improvável' para melhorar relação com os EUA, diz Financial Times
O jornal britânico Financial Times publicou neste sábado (22/08) uma reportagem segundo a qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca uma aliança "improvável" com o presidente americano, Donald Trump, em meio ao aumento das tensões com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. De acordo com o veículo, em vez de enxergar Trump como um obstáculo, o governo brasileiro tenta conquistá-lo como aliado.
A publicação destaca que, às vésperas de uma eleição presidencial acirrada em outubro, Lula e Rubio trocaram críticas diretas. Rubio teria acusado o líder brasileiro de colocar "seu próprio ego" acima do povo, enquanto Lula classificou o secretário de Estado como um "latino-americano frustrado" que "odeia o Brasil". O jornal afirma que, para algumas pessoas no governo americano, Lula estaria fabricando um confronto com Rubio por acreditar que uma reação nacionalista contra os EUA o ajudará a derrotar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa presidencial. Já fontes em Brasília teriam dito ao jornal que Rubio estaria coordenando agendas de movimentos da direita radical nos EUA e no Brasil.
Na sexta-feira (21/08), Lula e Trump conversaram por telefone, retomando o diálogo após meses de crise nas relações bilaterais, marcadas por novos tarifaços americanos contra produtos brasileiros e uma disputa envolvendo a revogação de vistos de diplomatas dos dois países. Durante a conversa, os líderes trataram de três temas principais: as tarifas impostas pelos EUA a produtos brasileiros, o combate ao crime organizado e conflitos globais, principalmente na Ucrânia e no Oriente Médio.
A reportagem do Financial Times também menciona que diplomatas brasileiros afirmam que a mudança no cenário político ocorreu no início da guerra do Irã, o que teria desviado a atenção da Casa Branca e aberto mais espaço para o Departamento de Estado assumir a iniciativa na relação entre os dois países. Desde então, segundo eles, houve tentativas do Departamento de Estado de favorecer a família Bolsonaro. O jornal ainda observa que, no segundo mandato de Trump, o Brasil vê o presidente como uma influência potencialmente moderadora, embora reconheça que é ele quem define a orientação geral da política.
A BBC News Brasil apurou que assessores do presidente Lula consideram a conversa positiva, mas avaliam que ela está longe de representar uma "normalização" das relações entre Brasil e EUA.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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