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Lula está usando reajuste do Bolsa Família como arma eleitoral?

Por Redação
Atualizado em 18/09/2026 às 10:05 schedule 3 min de leitura visibility 1 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou na quinta-feira (17/9) o primeiro reajuste do Bolsa Família em quatro anos. Com o aumento de 15%, o piso do benefício sobe de R$ 600 para R$ 691, e o valor médio pago pelo programa deve passar de R$ 675 para R$ 777. Os novos valores começam a ser pagos em outubro, a partir do dia 19 — pouco antes da data prevista para um possível segundo turno, marcado para 25 de outubro. O anúncio ocorre a 17 dias do primeiro turno das eleições.

Segundo o governo, o aumento repõe a inflação acumulada desde 2023. A gestão petista argumentava não ver necessidade de ampliar o benefício nos últimos anos justamente por causa do reajuste expressivo feito em 2022, quando o Auxílio Brasil subiu 50%, de R$ 400 para R$ 600. Após ser eleito, Lula manteve o valor e retomou o nome Bolsa Família.

Para o cientista político Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, o reajuste é mais uma iniciativa econômica lançada de olho no possível impacto eleitoral. Ele ressalta que a estratégia não é novidade e avalia que o ex-presidente Jair Bolsonaro foi ainda mais agressivo ao aprovar no Congresso uma alteração constitucional que ampliou benefícios sociais em julho de 2022, poucos meses antes da eleição daquele ano. A mudança ficou conhecida como PEC Kamikaze e permitiu ampliar o Auxílio-Gás e o Auxílio Brasil e criar benefícios temporários para caminhoneiros e taxistas. Em 2024, o STF considerou a PEC inconstitucional.

Outra diferença apontada por Cortez é que o aumento anunciado agora é permitido pela lei que rege o Bolsa Família e autoriza o governo a reajustar o benefício pela inflação. Bolsonaro, lembra o analista, alterou a Constituição para contornar limitações a aumentos de benefícios sociais em ano eleitoral, com a justificativa de mitigar os impactos econômicos da guerra entre Rússia e Ucrânia. "O governo Lula é mais modesto nesse voluntarismo eleitoral, mas não deixa de ser um movimento voluntarista", diz.

O analista político Creomar de Souza observa que medidas econômicas que afetam diretamente o bolso do eleitor podem demorar 90 dias, às vezes seis meses, para se refletir positivamente no voto — prazo incompatível com o calendário, já que os valores reajustados só começam a ser pagos em 19 de outubro. Para ele, um impacto mais relevante seria tirar o foco da crise no Supremo Tribunal Federal, que rachou a Corte após o ministro André Mendonça encaminhar ao plenário suspeitas envolvendo Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, acusado de fraudes bilionárias no Banco Master. Flávio Bolsonaro tem explorado a crise para reforçar ataques a Moraes.

Cortez aponta ainda que o reajuste pode atrair votos de beneficiários do Sudeste, que representam 28% do público atendido pelo programa. Segundo pesquisas BTG Nexus divulgadas em 14 de setembro, em eventual segundo turno, 73% dos eleitores do Bolsa Família dizem votar em Lula, contra 23% que afirmam votar em Flávio Bolsonaro. Para o analista, o aumento não altera o cenário de disputa apertada: "A disputa deve chegar ao primeiro turno como hoje, ou seja, uma eleição aberta, com chances reais de vitória da oposição".

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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