Mais de 60 padres assassinados no México desde 1990 — e 80% dos casos seguem impunes
O assassinato do padre Román de la Cruz Hernández, de 48 anos, no estado mexicano de Hidalgo, reacendeu as preocupações sobre a atuação do crime organizado no país e a impunidade que cerca esses casos. Pároco de Santa Cruz, em Huejutla, ele foi encontrado morto em uma estrada no distrito de Lolotla em 15 de setembro. Segundo a mídia local, o corpo apresentava ferimentos de bala e estava perto de uma caminhonete, acompanhado de um cartaz com uma mensagem cujo conteúdo não foi divulgado pelas autoridades.
Em 17 de setembro, Francisco Ángel Fernández Hasbun, chefe de gabinete da procuradoria-geral de Hidalgo, declarou em vídeo que o órgão conduz "as investigações apropriadas". A Conferência Episcopal Mexicana (CEM) exigiu uma "investigação minuciosa" do caso, enquanto o bispo José Hiraís Acosta Beltrán, da Diocese de Huejutla, lamentou "a situação alarmante de violência que está sendo vivida em nosso país". Cerca de 600 pessoas marcharam pela paz em Huejutla no domingo, 20 de setembro, e participaram de uma missa por De la Cruz. Na homilia, Acosta pediu "uma cultura de paz e reconciliação" e que "nem este evento nem os outros crimes que feriram nossa nação mexicana fiquem impunes".
Na tarde de 21 de setembro, Acosta e Fernández se reuniram e divulgaram uma breve declaração conjunta. Fernández afirmou que informações importantes sobre o caso foram fornecidas durante o encontro e disse que ambos acreditam que o caso será resolvido rapidamente, observando a colaboração da Igreja com as autoridades nas investigações.
De acordo com o Centro Católico Multimídia, grupo que documenta a violência contra membros da Igreja no México, quatro padres foram assassinados até agora durante o mandato da presidente Claudia Sheinbaum. O número total de padres assassinados desde 1990 ultrapassa 60. O diretor do centro, o padre e jornalista Omar Sotelo, disse ao ACI Prensa que o assassinato "traz as marcas reveladoras do crime organizado" e que "extorsão e ameaças contra padres no país são uma realidade contínua". Ele destacou que, entre os casos registrados e analisados pelo grupo, "mais de 80% permanecem sem solução", incluindo o assassinato em 1993 do cardeal Juan Jesús Posadas Ocampo, arcebispo de Guadalajara, caso que permanece como "um monumento à impunidade".
Julieta Appendini, diretora da fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (ACN) no México, afirmou ao ACI Prensa que "é importante não ver esses assassinatos meramente como atos criminosos isolados". Segundo ela, o impacto de um crime contra um padre "vai muito além da perda de um indivíduo", pois ele costuma ter presença próxima na vida da comunidade. Appendini alertou que o assassinato pode servir como aviso a outros sacerdotes e que "o medo também tem consequências para a liberdade religiosa". Sotelo afirmou que "o objetivo é semear o medo", mas garantiu que "o clero de Huejutla continuará trabalhando e realizando sua missão pastoral exatamente como está fazendo agora".
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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Por Redação