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Museu do Folclore recebe bordados do Vale do Jequitinhonha

Atualizado em 20/09/2026 às 21:20 schedule 4 min de leitura visibility 1 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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O Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, no Museu de Folclore Edison Carneiro, no Catete, Rio de Janeiro, recebe a mostra Arte têxtil de Turmalina e Veredinha – Jequitinhonha, MG. A exposição é gratuita e fica em cartaz até 29 de novembro. O público pode ver de perto tecidos em algodão feitos manualmente, com bordados e acabamentos ponto a ponto típicos dessas duas cidades mineiras, além de conhecer e comprar diversas peças.

Segundo a historiadora Ana Lima Kallás, responsável pela pesquisa de campo e pelo texto do catálogo, o visitante encontra na mostra um panorama documental único sobre bordados em peças para decoração, vestuário e outros trabalhos manuais. "A arte têxtil do Jequitinhonha é menos conhecida apesar de ser uma arte muito antiga naquele território. O bordado assumiu um lugar mais importante nessa produção têxtil do que os tecidos, há mais bordadeiras que tecelãs", afirma.

A pesquisadora explica que a exposição convida o público a refletir sobre os impactos destrutivos de empreendimentos na região, como o plantio extensivo de eucalipto, que reduziu a área de cultivo de algodão na agricultura familiar. A mostra também propõe o debate de gênero, já que o bordado foi historicamente associado, em um olhar patriarcal, a uma atividade doméstica das mulheres. "Hoje há uma mudança significativa nesse cenário. Com a formação das associações de artesãs, esse trabalho deixou de ser visto apenas como uma atividade doméstica e passa a ser visto como uma atividade profissional que gera a renda principal", diz Ana Lima.

A arte têxtil acompanha a vida de Maria Aparecida das Graças Oliveira, presidente da Associação de Artesãos de Turmalina (Astur), que cresceu ajudando mãe, avós e tias no ofício. "Desde cedo cresci com tecidos e bordados ao redor. Primeiro, eu ajudava a preparar o algodão para fazer o fio e depois tecer. Nos tecidos mais grossos, minha mãe fazia as iniciais de todos com ponto cruz, ela falava ponto de marca, para identificar os donos de cada item", conta. Para ela, que vem pela primeira vez ao Rio de Janeiro, expor o trabalho das artesãs representa um momento especial para ampliar a visibilidade da arte têxtil do Jequitinhonha.

Ilma Gonçalves de Oliveira, presidente da Associação Comunitária dos Artesãos de Turmalina (Soarte), destaca a mobilização das mulheres e a importância da geração de renda do artesanato na região. "Percebo que aqui, não apenas no nosso município, Turmalina, mas no Vale do Jequitinhonha como um todo, o artesanato representa uma renda necessária. Garante o sustento de famílias", afirma. A pesquisadora Ana Lima entrevistou 40 mulheres para a montagem da exposição.

Os itens de cama, mesa e vestuário reúnem combinação de cores e acabamentos em crochê. A tecelagem, o bordado, a cerâmica e os trabalhos em couro e madeira são definidos como saberes e fazeres ancestrais. O Vale do Jequitinhonha fica na porção nordeste de Minas Gerais e abrange também uma pequena parte do sudeste da Bahia, dividido em alto, médio e baixo. Turmalina e Veredinha estão situadas no Alto Jequitinhonha.

Serviço
Local: Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular | Museu de Folclore Edison Carneiro – Rua do Catete, 179, Catete, Rio de Janeiro. Tel.: 21 3032.6052.
Visitação: terça a sexta-feira, das 10h às 18h; sábados, domingos e feriados, das 11h às 17h.
Entrada franca.
Realização: Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (CNFCP/Iphan) e Associação Cultural de Amigos do Museu do Folclore Edison Carneiro (Acamufec).

Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Agência Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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