O jogral eleitoral do governo
O cenário econômico brasileiro é alarmante, mas isso não teve até agora a devida repercussão na corrida presidencial. O principal fator a ser levado em conta na escolha do eleitorado sempre é a avaliação da gestão presente: ela deve continuar ou dar lugar a outra? É simples assim: o parâmetro central para a definição do voto. Mas, atualmente, a eleição se parece mais com um concurso de frases bonitas, pegadinhas bem aplicadas, performances instagramáveis e tudo menos a aferição objetiva da gestão governamental.
No menosprezado campo dos fatos, sem o diversionismo dos apelos à soberania e os alarmes salvacionistas, o governo Lula encontra-se reprovado por si mesmo — pelo menos no campo do que é feito com o dinheiro do pagador de impostos. A deterioração macroeconômica é grave e visível por qualquer um a olho nu. Num quadro em que a inadimplência já atinge 9,1 milhões de empresas no país, com recorde de 232 bilhões de reais de dívidas em atraso, as perspectivas para 2027 são bastante preocupantes. Grandes bancos já se preparam para o aumento generalizado do calote — montando uma retaguarda de mais de 90 bilhões de reais, segundo analistas de mercado.
Ninguém nega a escalada de deterioração do crédito, e as origens estão onde o debate político não mira satisfatoriamente: juros altos e inflação persistentemente fora da meta. E de onde vem esse binômio deletério? Vem essencialmente da expansão dos gastos públicos. Como se não bastasse, o FMI projeta a dívida pública alcançando 100% do PIB para 2027 — como resultado do mesmo coquetel amargo: déficit recorrente, juro alto e consequente crescimento baixo. Parece realmente estranho que a campanha eleitoral não seja dominada por essa questão: quem colocou o país nesse atoleiro e quem pode tirá-lo de lá.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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