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O país improvável que virou um polo da corrida global da IA

Por Redação
Atualizado em 02/11/2026 às 08:35 schedule 3 min de leitura visibility 3 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Em Johor, no sul da Malásia, mais de 15 guindastes se erguem sobre cerca de 40 hectares de terra escavada onde a DayOne, empresa com raízes corporativas em uma das maiores operadoras chinesas de data centers, constrói um grande complexo. A poucos quilômetros dali, centenas de trabalhadores finalizam outra instalação voltada a empresas chinesas de tecnologia. Dentro desses centros de dados estarão alguns dos chips de inteligência artificial mais avançados do mundo, produzidos pela Nvidia — semicondutores amplamente proibidos de exportação para a China pelas restrições impostas pelos Estados Unidos.

As regras, porém, geralmente não impedem que empresas chinesas como a ByteDance, principal cliente da DayOne, acessem os mesmos chips em centros de dados fora do território chinês. Essa distinção ajudou a transformar a Malásia, país de 35 milhões de habitantes, em uma fronteira improvável do boom da IA. Terrenos baratos, energia relativamente acessível e a proximidade de cabos submarinos que conectam a China ao restante do mundo atraíram bilhões de dólares em investimentos. Em vez de escolher um lado na disputa entre Estados Unidos e China, o país decidiu receber os dois.

O avanço é mais evidente em Johor, epicentro do movimento, onde 65 projetos de data centers estão em operação, construção ou em diferentes fases de aprovação. As instalações já consomem mais de 2 gigawatts de eletricidade, o suficiente para abastecer mais de um terço das residências malaias. Caso todos os projetos planejados sejam concluídos, a demanda poderá superar 10 gigawatts, segundo a agência estadual Invest Johor, transformando a região em uma das maiores concentrações de poder computacional do mundo. Gigantes americanas como Microsoft, Google e Oracle investem pesadamente no país, enquanto a Malásia também se tornou polo de processamento de dados para ByteDance, Tencent e Alibaba.

O boom começou por volta de 2021, após Singapura proibir novos projetos de data centers por restrições energéticas, levando empresas a buscar terrenos do outro lado da fronteira. A expansão coincidiu com o aumento das tensões entre Washington e Pequim: em 2022, os EUA impuseram controles que impediram a Nvidia de vender diretamente seus chips mais avançados à China. Autoridades americanas acompanham de perto o papel do Sudeste Asiático, e um relatório distribuído dentro do governo dos EUA identificou participação direta ou indireta chinesa em 38 dos 128 projetos de data centers existentes na região.

O ritmo de expansão passou a ser questionado pelas próprias autoridades malaias, que adotaram uma política classificada por alguns como moratória informal para novos data centers: apenas instalações com fornecimento próprio de energia e fontes independentes de água para resfriamento poderão receber aprovação. Ainda assim, dezenas de projetos já autorizados seguem avançando. A DayOne alertou investidores neste mês que novas restrições americanas ao acesso remoto a poder computacional por meio de países como a Malásia podem reduzir a demanda e afetar seus resultados financeiros.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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