O plano bilionário da China para fazer uma nova revolução industrial com milhões de robôs
O governo chinês investe US$ 20 bilhões em um plano para colocar o país na vanguarda da inovação em robótica industrial, em concorrência direta com os Estados Unidos. A estratégia, batizada pelo presidente Xi Jinping de "novas forças produtivas", prevê a formação de uma nova geração de engenheiros e a expansão do parque de robôs já instalado nas fábricas do país, que supera 2 milhões de unidades — mais do que em qualquer outra nação.
Para sustentar o projeto, a China construiu escolas profissionalizantes de grande porte, como o Instituto Técnico de Hangzhou, onde cerca de 30 estudantes universitários aprendem programação de robôs industriais e desenvolvimento de instrumentos médicos robóticos. O país já fabrica mais da metade dos robôs industriais do mundo e exporta esses equipamentos globalmente. Em fábricas como a CRP Technology, em Chengdu, engenheiros trabalham no desenvolvimento de robôs capazes de construir outros robôs, enquanto uma linha de montagem com cerca de 30 funcionários produz braços robóticos que podem ser programados para executar mais de 90% das tarefas repetitivas.
A automação acelerada também responde a um problema demográfico: estimativas oficiais indicam que, até 2035, mais de um terço da população chinesa terá mais de 60 anos, e o país pode perder quase 60 milhões de habitantes na próxima década. Com cerca de 120 milhões de pessoas ainda empregadas na manufatura, a velocidade da transição é um ponto crítico — avançar rápido demais pode provocar perdas massivas de empregos.
Na Leapmotor, fabricante de veículos elétricos com mais de 25 mil funcionários, robôs atuam em todas as etapas da montagem em Hangzhou. Segundo o vice-presidente da empresa, Cao Li, as áreas de estampagem, soldagem e pintura já alcançaram praticamente 100% de automação, e a substituição total da mão de obra humana na linha é "perfeitamente possível" e pode ocorrer "relativamente rápido".
Especialistas apontam que a China leva vantagem sobre os EUA por ter uma enorme base industrial, com motores, baterias, sensores e demais componentes disponíveis localmente. "A China também tem uma visão. Tem um plano. Eles sabem onde querem estar daqui a cinco anos", afirma Susanne Bieller, secretária-geral da Federação Internacional de Robótica. O planejamento ocorre em alto nível e é desdobrado para regiões e municípios.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Palavras-Chave
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentarPor
Redação