O que é a CNBB, entidade católica criticada por Flávio Bolsonaro
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) é a entidade que reúne os bispos católicos do país. Foi fundada em outubro de 1952, no Rio de Janeiro, então capital federal, e desde 1977 tem sede em Brasília. A criação seguiu um movimento iniciado nos anos 1950, quando o então padre italiano Giovanni Maria Montini — mais tarde papa Paulo 6º — passou a incentivar que os bispos de cada país se organizassem em colegiados para discutir problemas locais, traçar ações pastorais e facilitar a comunicação com o Vaticano.
A CNBB teve papel ativo no Concílio Vaticano 2º, série de encontros realizados em Roma entre 1962 e 1965 para modernizar a Igreja Católica e aproximá-la de questões sociais contemporâneas. Um de seus principais entusiastas foi o religioso franciscano Hélder Câmara, então bispo auxiliar do Rio de Janeiro, citado pela própria entidade como "idealizador". Câmara se tornaria conhecido durante a ditadura militar pela defesa dos direitos humanos e por críticas ao regime, sendo chamado por detratores de "padre comunista" e "bispo vermelho".
Segundo o Código de Direito Canônico, o papel dessas conferências é fazer com que os bispos exerçam conjuntamente funções pastorais em favor dos fiéis de seu território. Todos os bispos do país integram automaticamente o quadro da CNBB — atualmente são quase 500, sendo 318 na ativa e o restante emérito. O teólogo Raylson Araujo, pesquisador da PUC-SP, afirma que esse formato de colegiado ganhou força como desdobramento do Concílio Vaticano 2º. O bispo de Mogi das Cruzes, Pedro Luiz Stringhini, destaca que a entidade "não tem poder hierárquico, mas é muito mais do que uma estrutura simbólica".
A instituição foi criticada por Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República. O senador disse que a CNBB tem envolvimento em posts que circulam nas redes sociais afirmando que ele retiraria o papel de Nossa Senhora Aparecida de padroeira do Brasil. Em reação, a CNBB publicou nota esclarecendo que "não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao atual processo eleitoral". No dia seguinte, Flávio baixou o tom e agradeceu à entidade por confirmar que se tratava de uma "grande fake news".
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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Por Redação