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O que esperam os 6 milhões de afegãos deportados de volta ao país governado pelo Talibã

Por Redação
Atualizado em 06/09/2026 às 20:50 schedule 3 min de leitura visibility 1 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Mais de 1 milhão de afegãos foram obrigados a retornar ao Afeganistão neste ano, vindos do Paquistão e do Irã, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur). O movimento faz parte do maior deslocamento forçado de pessoas entre fronteiras registrado atualmente no mundo.

Desde que o Talibã retomou o poder, em agosto de 2021, cerca de 6 milhões de pessoas voltaram ao país, de acordo com o porta-voz do Acnur, Charlie Goodlake. "Na história recente, nunca vimos um movimento de retorno dessa dimensão", afirmou. Muitos dos que retornam não pisavam no Afeganistão havia décadas; outros, como Nazia, de 35 anos, nunca haviam estado no país. "Nunca estive no Afeganistão, e muita gente aqui não tem nem pão suficiente para comer", disse ela, após cruzar a passagem de Torkham, na fronteira com o Paquistão.

As deportações se intensificaram depois que Paquistão e Irã endureceram as medidas contra imigrantes sem documentação. A ONU e organizações de direitos humanos afirmam que as operações atingem também afegãos com registro oficial. O governo paquistanês já declarou publicamente que nem mesmo os portadores de cartões de registro estão isentos. No Irã, as expulsões em massa ganharam força após a guerra de 12 dias contra Israel e os Estados Unidos, em junho. O Centro de Direitos Humanos no Irã acusou as autoridades de tratar os afegãos como "possíveis espiões de Israel".

Na fronteira, a situação é precária. Abrigos de lona e plástico montados pela ONU acolhem temporariamente os recém-chegados. Zarina, de 40 anos, que retornou com a família, disse temer pelo futuro das meninas, impedidas de frequentar o ensino médio e a universidade sob o governo do Talibã. "Olhe para elas, são todas meninas. É claro que estou preocupada", afirmou. Um ex-segurança afegão, deportado do Irã e depois do Paquistão, disse não confiar na anistia anunciada pelo Talibã. "Muitos dos meus colegas foram mortos", relatou.

O governo do Talibã reconhece a pressão. O ministro das Relações Exteriores, Amir Khan Muttaqi, admitiu que o retorno em massa "exerce pressão sobre o país". O Paquistão confirmou que 16 mil afegãos em situação de vulnerabilidade receberam isenção temporária da deportação, decisão bem recebida pela ONU. Fontes estimam, porém, que até 250 mil afegãos no Paquistão ainda correm risco de sofrer danos graves, entre eles mulheres e meninas que, caso retornem, não teriam acesso à educação.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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