O que são as eleições de meio de mandato dos EUA e por que elas podem selar futuro de Trump?
Em 3 de novembro, os eleitores dos Estados Unidos vão às urnas para as eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms. A votação ocorre a cada dois anos e, quando acontece no meio do mandato presidencial de quatro anos — no caso de Donald Trump, previsto para terminar em janeiro de 2029 —, recebe essa denominação. O pleito definirá qual partido controlará o Congresso e o grau de facilidade com que o presidente conseguirá executar seus planos.
O Congresso é formado por duas casas. Todos os 435 membros da Câmara dos Representantes serão eleitos, com mandatos fixos de dois anos. Já 35 das 100 cadeiras do Senado estarão em disputa, com mandatos de seis anos. Uma das principais tarefas do Legislativo é criar e aprovar leis federais aplicadas em todo o país. No mesmo dia, eleitores de grande parte do território também escolherão governadores, com destaque para as disputas na Califórnia, Flórida, Geórgia e Michigan.
Atualmente, os republicanos controlam as duas casas, mas com maioria apertada: 218 cadeiras na Câmara — o mínimo necessário —, mais um independente que vota com eles, e 53 no Senado. A câmara alta só mudaria de mãos se os democratas conquistassem ao menos 51 cadeiras, superando o voto de desempate do vice-presidente. Se a oposição recuperar o controle de pelo menos uma das casas, terá poder para apresentar suas próprias leis.
Entre os temas mais debatidos estão a economia, com a inflação ainda acima da meta do Federal Reserve, em parte devido à guerra iniciada pelos EUA e por Israel com o Irã em fevereiro, e as tarifas impostas por Trump, que, segundo os democratas, encareceram produtos. A imigração é outra questão central: os republicanos afirmam que o presidente cumpriu promessa de campanha ao reforçar a segurança na fronteira e lançar uma repressão controversa à imigração ilegal. A regulamentação da inteligência artificial ganhou urgência, com políticos de ambos os partidos defendendo regras, posição contrária à de Trump.
Pesquisas recentes apontam baixa aprovação do presidente: ele iniciou o segundo mandato com pouco mais de 50% de apoio e, no início de outubro, o índice estava em torno de 37%, com 61% de desaprovação. Historicamente, os eleitores tendem a punir o partido do presidente. Se os democratas vencerem a Câmara ou o Senado, Trump terá dificuldade para aprovar leis, embora já tenha sinalizado disposição de governar por ordens executivas. O controle democrata de uma das casas também facilitaria investigações por comissões, com convocação de funcionários e pedidos de documentos. Se mantiver o Congresso, o republicano poderá dar continuidade aos seus planos com mais facilidade. O resultado também será lido como termômetro dos ânimos para 2028, quando Trump não poderá concorrer, já que a Constituição limita a dois mandatos.
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