Os deepfakes que tentam te enganar — e gerar dinheiro
Uma investigação da BBC News Brasil revela que a produção e a disseminação de deepfakes e vídeos gerados por inteligência artificial nas redes sociais envolvem uma combinação de dois interesses principais: ganhar dinheiro com esse tipo de conteúdo e influenciar a opinião pública. O repórter Luiz Fernando Toledo passou os últimos meses apurando esse mercado, dentro e fora da política.
Segundo a apuração, os vídeos já alcançaram milhões de pessoas e incluem figuras como Jair Bolsonaro e Lula em versões artificiais, além de eleitores, médicos e até aulas de história criadas por IA. O material mostra que esses conteúdos circulam amplamente nas plataformas digitais e que há pessoas trabalhando profissionalmente na produção desse tipo de vídeo.
Entre os entrevistados está o motorista de aplicativo Daniel Cristiano dos Santos, criador da personagem Dona Maria. Feita inteiramente com inteligência artificial, ela representa uma mulher negra e idosa que fala palavrões e aparece revoltada com a situação do país.
De acordo com reportagem da BBC, a personagem ganhou milhões de visualizações ao publicar vídeos com críticas a Lula, ao governo e a ministros do STF. Em um deles, que chegou a 8,8 milhões de visualizações e mais de 23 mil comentários, Dona Maria cobrava uma reação do presidente ao tarifaço de Donald Trump.
A investigação aponta, assim, que os deepfakes não se limitam à política: eles integram um mercado que mistura lucro e tentativa de influenciar a opinião pública, com alcance significativo nas redes sociais.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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Por Redação