Os maiores vencedores e os maiores perdedores do primeiro turno das eleições 2026
O primeiro turno das eleições de 2026 terminou com Flávio Bolsonaro (PL) à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por uma diferença de 2,2 milhões de votos, no pleito mais apertado desde a redemocratização. O resultado contrariou as pesquisas eleitorais, que apontavam o petista na liderança. A definição ocorrerá no segundo turno, em 25 de outubro.
Para o cientista político Murillo Aragão, da Arko Advice, a "onda azul" a favor de Flávio era esperada, pois há uma tendência histórica de candidatos de esquerda aparecerem melhor nas pesquisas. Segundo ele, cerca de dois terços dos votos dos demais candidatos devem migrar para Flávio, tornando-o favorito. Já Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, avalia que a direita sai fortalecida como campo político, mesmo com seu líder preso e após ter tentado uma interrupção democrática.
Entre os vencedores apontados pelos especialistas está o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Embora preso e inelegível, ele defendeu desde o início a candidatura do filho mais velho, em meio a uma disputa por seu legado que envolvia outros filhos, Michelle Bolsonaro e o governador de São Paulo reeleito, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Em julho, em carta lida por Flávio nas redes sociais, Bolsonaro afirmou que o filho era seu porta-voz. Além de Flávio, Carlos Bolsonaro foi eleito senador por Santa Catarina, Michelle pelo Distrito Federal e Jair Renan, o filho mais novo, deputado federal por Santa Catarina.
O PL também é apontado como grande vencedor. A sigla elegeu 19 senadores, totalizando 28 representantes na Casa, e deve manter a maior bancada na Câmara dos Deputados, o que pode levá-la à Presidência da Casa. Para Marco Antonio Teixeira, da FGV, o partido venceu pelo tamanho das bancadas que elegeu. A sigla ainda emplacou os deputados mais votados da história: Lucas Pavanato (PL-SP) e Nikolas Ferreira (PL-MG) superaram a marca de 3 milhões de votos cada um. A professora Jacqueline Teixeira, da UnB, destaca ainda as candidaturas femininas expressivas do partido, como Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, eleitas pelo Distrito Federal, e Carolina de Toni, por Santa Catarina.
No campo do PT, o Nordeste foi a única região em que Lula ficou em primeiro lugar, mas a votação não foi suficiente para mantê-lo na liderança nacional. Ainda assim, o partido reelegeu governadores no Piauí, com Rafael Fonteles, no Ceará, com Elmano Freitas, e na Bahia, com Jerônimo Rodrigues.
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Por Redação