Papa Leão XIV denuncia crianças que não vão à escola por medo de morrer
O Papa Leão XIV denunciou, em discurso a moradores de um bairro carente de Montevidéu, no dia 7 de novembro, o impacto do crime violento sobre crianças e famílias uruguaias. "Não podemos fechar os olhos para o fato de que há crianças no Uruguai que não vão à escola por medo de nunca mais voltar para casa", afirmou o pontífice durante visita a uma paróquia católica no bairro de Casavalle, na zona norte da capital.
Leão XIV destacou que, em um país rico em recursos, as crianças não deveriam ir para a cama com fome nem ser privadas de uma educação decente e de um futuro digno por causa da insegurança nas ruas. Também lamentou que jovens sofram violência a ponto de perder a vida.
O papa relacionou a situação à parábola do Bom Samaritano, narrada no Evangelho de Lucas, lembrando que o homem socorrido na história havia sido vítima de um crime violento. Segundo ele, essa passagem se repete hoje na insegurança generalizada que ameaça a paz dos bairros e a vida dos entes queridos, e a sociedade frequentemente responde com indiferença. Por outro lado, o pontífice reconheceu o trabalho de instituições e pessoas de boa vontade que promovem a paz e oferecem assistência prática aos necessitados, citando testemunhos de dificuldade e esperança relatados por membros da paróquia.
Leão XIV também agradeceu o apoio financeiro da Fundação Papal, sediada nos Estados Unidos, para a construção de casas destinadas a membros carentes da paróquia. O pontífice defendeu a atuação conjunta de Igreja, sociedade civil e Estado. "Precisamos sacudir nossa apatia e defender o bem comum", disse, pedindo que os esforços sejam unidos para "construir juntos uma pátria de irmãos e irmãs".
O crime violento é um problema urgente em toda a América Latina, em grande parte impulsionado pelo tráfico de drogas e por outras formas de crime organizado. Dados da ONU citados na ocasião colocam a taxa de homicídios na América Latina e no Caribe em cerca de quatro vezes o nível global, a mais alta entre todas as regiões do mundo. Após a passagem pelo Uruguai, o papa tinha programação prevista para a Argentina, onde passaria três dias, seguida de cinco dias no Peru antes de retornar a Roma.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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