Parolin na ONU: elevação do nível do mar exige cultura do cuidado e solidariedade
O cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado de Sua Santidade, afirmou que o aumento do nível do mar não pode ser tratado apenas como uma questão ambiental ou científica. Em discurso na reunião de alto nível da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, nesta quinta-feira, 24 de setembro, ele alertou que o fenômeno já afeta comunidades e ecossistemas, ameaça moradias e meios de subsistência e coloca em risco a segurança alimentar e hídrica, além de patrimônios culturais e terras ancestrais.
Em nome da Santa Sé, Parolin destacou que a perda de terras para muitas populações costeiras significa também a perda de casas, meios de subsistência, referências culturais e espaços ligados à própria identidade. O cardeal citou de modo especial as comunidades costeiras empobrecidas, os pequenos Estados insulares em desenvolvimento e as regiões costeiras de baixa altitude, particularmente expostos às consequências da elevação dos oceanos.
O secretário de Estado recordou o apelo do Papa Leão XIV por uma mudança de perspectiva: passar “da coleta de dados ao cuidado”. Segundo Parolin, o desafio demonstra a necessidade de promover, por meio de um compromisso coletivo e conjunto, uma “cultura do cuidado”, colocando no centro a dignidade humana e o bem comum. O conhecimento científico, disse, não deve permanecer restrito à produção de dados e diagnósticos, mas precisa transformar-se em responsabilidade e em ações concretas.
Para a Santa Sé, essa resposta deve estar fundamentada na solidariedade, na justiça e em uma verdadeira cooperação internacional. O cardeal pediu o fortalecimento dos esforços para enfrentar as mudanças climáticas e defendeu que os Estados mais vulneráveis tenham acesso aos recursos necessários para se adaptar às transformações ambientais — entre eles recursos financeiros, tecnológicos e técnicos destinados à adaptação, ao aumento da resiliência e ao enfrentamento das perdas e danos.
Ao concluir, Parolin afirmou que o compromisso diante da elevação do nível do mar não deve ser avaliado somente pelas políticas adotadas. É necessário considerar também a determinação de “salvaguardar a dignidade dada por Deus a cada pessoa” e de construir um futuro de esperança para as próximas gerações. A posição apresentada pela Santa Sé na ONU vincula, assim, a proteção do meio ambiente à defesa da pessoa humana, do bem comum e da responsabilidade compartilhada entre as nações.
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Por Redação