Pe. Zezinho, scj celebra seis décadas de sacerdócio e uma trajetória pioneira na música, na comunicação e na catequese
O sacerdote José Fernandes de Oliveira, conhecido como Pe. Zezinho, scj, completou 60 anos de ordenação sacerdotal em 21 de setembro. A data marca uma trajetória que atravessa a música, a catequese, a comunicação e a literatura, iniciada em um período de transformações na Igreja.
Nascido em Minas Gerais, mudou-se ainda criança com a família para o interior de São Paulo. Em Taubaté, cresceu próximo ao Convento Sagrado Coração de Jesus, o Conventinho, onde a convivência com os padres dehonianos despertou seu desejo pelo sacerdócio. Aos 12 anos, ingressou no Seminário Menor da Escola Apostólica Dehonista, em Lavras (MG). Entre 1954 e 1959, em Corupá (SC), completou o ensino médio e viveu experiências que o ajudaram a se desprender do menino Zezé.
Na adolescência, já demonstrava sensibilidade artística. Chegou a ser impedido de aprender a tocar instrumentos e, diante das restrições, criava pseudônimos e pedia a colegas que declamassem seus poemas. Em 1963, foi enviado a Hales Corners, nos Estados Unidos, onde estudou Teologia e aprofundou conhecimentos em Comunicação e Psicologia. Recebeu a ordenação diaconal em 17 de junho de 1966 e, três meses depois, em 21 de setembro, foi ordenado sacerdote. Para o ministério, escolheu o lema: “Ajoelhei-me na consciência da minha pequenez, e o Senhor me ergueu pequeno, mas sacerdote para sempre”.
Retornou ao Brasil em 1967, destinado ao Santuário São Judas Tadeu, no Jabaquara, em São Paulo, onde se dedicou aos jovens e às escolas e participou da criação da pastoral da juventude. Seu modo de catequizar por meio da música, da arte e de uma linguagem próxima do cotidiano ganhou projeção e chamou a atenção da então diretora da gravadora Paulinas, Ir. Maria Nogueira, que o convidou para uma gravação de teste.
Sua produção musical percorre diferentes dimensões da experiência cristã, da espiritualidade a questões sociais e fraternidade. Ao longo das décadas, suas posições foram interpretadas de maneiras distintas, e ele chegou a ser alvo de classificações políticas opostas. Em determinado período, permaneceu na Espanha após ser perseguido pela ditadura ao defender o direito dos jovens ao voto. Aos 85 anos, vive no Conventinho, em Taubaté, e continua compondo, escrevendo e gravando. Sobre o envelhecimento, recorre à imagem do sol poente: “Envelhecer é a fase do sol poente. A aurora é bonita, mas o poente também é rico de experiências”.
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Por Redação