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Peter Thiel: “Medo do sucesso” impede Alemanha de criar novas gigantes da tecnologia

Atualizado em 26/09/2026 às 09:05 schedule 3 min de leitura visibility 0 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Pela primeira vez nos quatro anos de história do ranking Fortune 500 Europe, o Reino Unido superou a Alemanha como o país com mais empresas na lista: 76, contra 73. Para o investidor bilionário Peter Thiel, porém, a mudança reflete um problema mais amplo enfrentado por seu país de nascimento: a dificuldade de criar e, sobretudo, expandir a próxima geração de empresas globais.

“Existe um medo do fracasso”, afirmou Thiel no podcast MDMEETS, ao comentar o empreendedorismo alemão. “As pessoas são avessas ao risco e coisas do tipo, e talvez isso seja verdade. Mas o ponto que eu gostaria de destacar é que talvez também exista um medo do sucesso.” Segundo ele, os empreendedores alemães tendem a vender suas empresas ou deixar o negócio antes que ele se torne uma companhia verdadeiramente global. “Se você tem algo que funciona, não vai escalá-lo a um nível extremo como Elon Musk ou Mark Zuckerberg fizeram”, disse ao também bilionário alemão e executivo de mídia Mathias Döpfner. “O que chama muito a atenção é como poucas grandes empresas novas foram construídas na Alemanha nas últimas décadas”, acrescentou.

O país possui apenas uma fração dos unicórnios encontrados nos Estados Unidos e na China, e seu desempenho começou a ficar atrás do de vários vizinhos europeus. No Painel Europeu de Inovação de 2026, da União Europeia, a Alemanha ocupou a 10ª posição, atrás de países como Áustria, Luxemburgo e Irlanda.

Thiel, que nasceu em Frankfurt em 1967 e se mudou com a família para os Estados Unidos ainda bebê, apontou diferenças na origem das grandes fortunas dos dois países. Segundo ele, entre as 50 pessoas mais ricas dos Estados Unidos, cerca de uma dúzia pertence à geração X ou a gerações mais jovens; na Alemanha, seriam aproximadamente 20 indivíduos nessa faixa etária. Enquanto a maioria dos americanos construiu a própria riqueza, os alemães, segundo Thiel, herdaram seu patrimônio. “Nem uma única pessoa fez algo novo, criou uma nova fortuna ou construiu uma grande empresa escalável”, afirmou. Cofundador do PayPal e da Palantir e um dos primeiros investidores externos do Facebook, Thiel tem fortuna estimada em US$ 37,2 bilhões.

Durante décadas, a indústria automobilística foi um dos pilares da economia alemã. A Volkswagen, que chegou a ocupar a sexta posição no ranking Fortune Global 500 em 2017, enfrentou o escândalo de emissões de poluentes e a concorrência das montadoras chinesas na transição para veículos elétricos, caindo para a 13ª colocação. No início deste mês, a empresa aprovou um plano de reestruturação que prevê a redução de aproximadamente metade de sua linha de modelos e o corte de 50 mil empregos, somando-se a cerca de 50 mil demissões já acertadas nos dois anos anteriores. As ações acumulam queda superior a 35% neste ano. BMW e Mercedes-Benz, nas posições 50 e 51 do ranking, também registraram recuo superior a 20% em suas ações nos últimos 12 meses, alimentando preocupações sobre a competitividade da economia alemã.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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