Petróleo da Venezuela vira novo campo de batalha entre Trump e Xi
A Venezuela se tornou um novo campo de disputa entre os Estados Unidos e a China, com o governo de Donald Trump ampliando sua ofensiva para reestruturar a dívida do país e cortar o acesso de Pequim à receita da produção petrolífera local. O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirmou que a China não terá direitos sobre a receita da nova produção venezuelana, o que atinge um dos canais usados para o pagamento de dívidas do país.
A movimentação faz parte de uma campanha mais ampla de Washington para expulsar potências como China e Rússia da região, classificadas pela Casa Branca como "atores estrangeiros maliciosos". Sob a chamada "Doutrina Monroe", os EUA afirmam o direito de negar a rivais o controle de "ativos estrategicamente vitais" no hemisfério. O governo americano já anunciou planos de assumir o controle de mais de 65 bilhões de barris das reservas de petróleo bruto da Venezuela e negociou uma participação de 35% na North American Blue Energy Partners, do empresário venezuelano Alejandro Betancourt, obtendo acesso a 17 campos petrolíferos locais.
Para a China, no entanto, o impacto é mais político do que econômico. O país reduziu sua exposição à Venezuela nos últimos anos, e o petróleo bruto local representou apenas 4% do total de importações chinesas em 2025. Nenhum carregamento venezuelano chegou à China desde que o governo Trump assumiu o controle dos ativos, após a captura do então presidente Nicolás Maduro. O golpe maior pode ser para as refinarias chinesas, que já sofrem com interrupções no suprimento do Irã e dependiam do petróleo pesado venezuelano para a produção de asfalto.
A dívida total da Venezuela com a China é estimada em pelo menos US$ 10 bilhões, valor que já caiu consideravelmente do pico de mais de US$ 60 bilhões em empréstimos lastreados em petróleo estendidos por bancos estatais chineses até 2015. A reação de Pequim tem sido moderada. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun, disse que os direitos e interesses legítimos da China na Venezuela "devem ser protegidos" e que a cooperação bilateral "não diz respeito a terceiros".
O tema deve ganhar contornos delicados na primeira visita de Estado do presidente Xi Jinping aos EUA em mais de uma década, marcada para este mês. Autoridades das maiores economias do mundo buscam evitar grandes conflitos, mas analistas apontam que o atrito é quase inevitável. "A América do Sul tem sido há muito tempo uma encruzilhada geopolítica onde os interesses da China e dos EUA se cruzam e, às vezes, colidem", disse Liao Na, fundadora da GL Consulting, empresa focada em pesquisa energética.
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