Por que falamos muito e somos pouco escutados?
Em artigo publicado pelo Vatican News, o padre Marcio Tadeu, sacerdote da Diocese de Votuporanga (SP), avalia que a Igreja tem falado muito e sido pouco escutada pela sociedade brasileira. Para ele, o problema começa no coração e se chama soberba, tratada na Bíblia como o pecado originário. Quando a soberba entra no terreno das ideias, ganha o nome de ideologia: uma verdade parcial promovida a verdade inteira, que deixa de ouvir o diferente.
O sacerdote recorda a imagem das "janelas abertas" atribuída a São João XXIII e ao Concílio Vaticano II. Passados mais de sessenta anos, ele avalia que a Igreja avançou em muitas frestas, mas ainda não está de janelas abertas: recebe e convida, porém marca o encontro no próprio território, na própria linguagem e no próprio horário. Nesse contexto, a sinodalidade — caminhar juntos — exige humildade e a disposição de aceitar o risco de o diferente ter razão. Quando a consulta termina onde já se pretendia chegar, resta, segundo ele, encenação com ata e fotografia.
Padre Marcio cita a Gaudium et Spes, que pede investigar os sinais dos tempos antes de interpretá-los, e a Evangelii Gaudium, na qual o papa Francisco afirma preferir uma Igreja acidentada e ferida por ter saído pelas estradas. Ele defende realinhar a pauta começando pelas perguntas que as pessoas de fato fazem. A verdade recebida é dom e responsabilidade, e ninguém a possui como quem guarda um cofre: a humildade deixa intacto o que se crê e tira apenas a pose.
Esta matéria foi publicada primeiro em Religião · Vatican News PT e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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