Por que medir qualidade do sono pode estar fazendo você dormir pior
A busca pela noite de sono perfeita pode estar produzindo o efeito contrário. Médicos ouvidos pela BBC relatam um aumento de pacientes obcecados com os dados de seus monitores de sono, um comportamento que tem nome clínico: ortossônia, a fixação por alcançar um descanso ideal. Essa preocupação excessiva, alertam os especialistas, acaba por prejudicar a qualidade do descanso.
O problema, segundo especialistas, está nas próprias ferramentas. A "pontuação do sono" fornecida por aplicativos e dispositivos é um conceito "completamente inventado" pela indústria, sem respaldo na ciência, afirma Alanna Hare, consultora de medicina do sono do Royal Brompton Hospital, em Londres. Os aparelhos medem movimentos, não a atividade cerebral, e podem gerar ansiedade. Um estudo da Universidade de Oxford mostrou que pessoas informadas de que dormiram mal relataram mais fadiga no dia seguinte, mesmo quando os dados eram falsos.
A britânica Jess Hill viveu essa obsessão por três anos após comprar um relógio Garmin. Ela conta que passou a tratar o aparelho como uma "Bíblia", até perceber que os resultados não correspondiam à realidade. Para dormir bem, a recomendação dos especialistas é simples: manter o quarto fresco, escuro e silencioso, buscar luz pela manhã e praticar exercícios leves. "Qualquer outra coisa, você não precisa", resume Hare.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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