Por que o uso de canetas emagrecedoras está afetando as vendas de produtos de beleza, segundo a L'Oreal
O avanço dos medicamentos para emagrecer conhecidos como GLP-1 tem mudado não apenas a rotina de quem busca perder peso, mas também o mercado de beleza. A gigante francesa L'Oréal afirmou que o aumento do uso dessas canetas emagrecedoras afetou as vendas de produtos de beleza e de cuidados com a pele, e já desenvolve linhas voltadas especificamente para lidar com alguns dos efeitos colaterais da perda rápida de peso.
Em conversa com investidores, o presidente-executivo da companhia, Nicolas Hieronimus, disse que o mercado de beleza tem demonstrado resiliência em um cenário global desafiador e classificou o uso de GLP-1 como "um fenômeno muito importante para nós". Segundo ele, o crescimento desses medicamentos estava "tendo impacto no consumo de produtos de beleza e, em particular, no consumo de produtos para cuidados com a pele".
A popularidade dos GLP-1 disparou nos últimos anos depois que remédios originalmente desenvolvidos para tratar diabetes, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, também passaram a ser usados para perda de peso significativa, por suprimirem o apetite. Embora não seja um efeito provocado diretamente pelos medicamentos, a perda rápida de peso pode causar, em algumas pessoas, flacidez da pele, inclusive na região do rosto.
Hieronimus afirmou que marcas da L'Oréal como SkinCeuticals e Kiehl's oferecem produtos "desenvolvidos para atuar em conjunto com os GLP-1 e complementar seus efeitos sobre a flacidez da pele", além de outros efeitos associados ao emagrecimento acelerado. A empresa, dona de marcas populares como Maybelline e La Roche-Posay, anunciou na quinta-feira (22/10) que suas vendas cresceram 7,7% nos três meses encerrados em setembro, superando as expectativas dos analistas.
A L'Oréal também ampliou sua atuação no segmento de estética clínica, elevando para 20% sua participação na empresa de dermatologia Galderma em dezembro do ano anterior. Segundo a agência de notícias Reuters, as duas empresas vêm testando produtos em ensaios clínicos distintos com usuários de GLP-1 preocupados com a flacidez da pele. A Galderma é dona de produtos estéticos populares, como o Sculptra, injetável destinado a estimular a produção de colágeno, e o Restylane, preenchedor dérmico injetável. No ano passado, a empresa divulgou um relatório sobre o aumento do uso de GLP-1 e as preocupações relacionadas às mudanças na aparência facial: uma pesquisa própria com usuários desses medicamentos constatou que a grande maioria havia percebido mudanças no rosto após o uso.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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