Portugal: Simpósio do Clero desenvolveu o tema da fraternidade
Fátima, em Portugal, acolheu entre 31 de agosto e 3 de setembro o 11º Simpósio do Clero de Portugal, subordinado ao tema “Irmãos no Sacerdócio e Testemunhas do Evangelho”. O encontro reuniu 275 participantes de todo o país, segundo a Agência Ecclesia.
A edição de 2026 teve como principal orador o padre Fábio Guimarães, psicólogo e professor da Universidade Católica de Petrópolis, no Brasil. Em entrevista à Agência Ecclesia, ele afirmou que a vida sacerdotal vai muito além da liturgia e das atividades religiosas, sendo necessário cuidar do descanso, dos sentimentos e dos afetos.
Segundo o sacerdote, as exigências do dia a dia de um padre envolvem coordenar e organizar realidades sociais e pastorais diversificadas, como acompanhar pessoas em situação de sofrimento e descobrir redes de ajuda. Ele disse que os sacerdotes circulam constantemente entre três dimensões: o cuidado humano, o cuidado pastoral e o cuidado espiritual.
Fábio Guimarães destacou que o tema da fraternidade proposto no simpósio ilumina essa reflexão, pois quem se propõe a cuidar precisa ter sua própria referência de cuidado. Para ele, o cansaço faz parte de qualquer missão, mas a forma como se descansa é o que permite continuar oferecendo a vida na missão — e o descanso não se resume ao sono e à alimentação, passando também pelo cuidado dos sentimentos, dos afetos e das experiências de dor e de amor ao próximo.
O orador lembrou que o Concílio Vaticano II já apontava a fraternidade como um “bem vital para a vida sacerdotal”. Na avaliação dele, a fraternidade não se limita a uma experiência de empatia e proximidade, mas é também um espaço de segurança para falar dos sofrimentos, partilhar alegrias e dividir a esperança. Ele afirmou que os padres manifestaram a necessidade de estarem mais próximos e que o inquérito do simpósio mostrou o investimento já feito em iniciativas pessoais e de pequenos coletivos nas dioceses.
Na sessão de abertura, D. Vitorino Soares, presidente da Comissão Episcopal Vocações e Ministérios, que promove o Simpósio do Clero, descreveu os trabalhos como “um tempo especial de encontro, de comunhão e de visibilidade da Igreja”. À Agência Ecclesia, o bispo sublinhou a importância de os sacerdotes cultivarem entre si a fraternidade e não apenas a cordialidade, que, segundo ele, é uma questão mais oficial e de etiqueta, enquanto a fraternidade é mais profunda e exige uma “intencionalidade interior”.
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