Programa Move Brasil atinge apenas uma pequena fração do financiamento previsto
O programa Move Brasil, lançado pelo governo federal em maio para facilitar a compra de veículos novos por taxistas e motoristas de aplicativo, liberou apenas R$ 4 bilhões em crédito até o início de setembro, o equivalente a 13% dos R$ 30 bilhões previstos. O baixo desempenho é atribuído a critérios rígidos de crédito e a falhas operacionais na implementação da iniciativa.
Gerido pelo Ministério do Desenvolvimento e operado pelo BNDES ou bancos habilitados, o programa permite financiar até 100% do valor do automóvel, com carência de seis meses para o início do pagamento. As taxas de juros são limitadas a 12,6% ao ano para homens e 11,5% para mulheres, menos da metade da média praticada pelo mercado. Apesar das condições favoráveis, o governo admite que o programa esbarra em reprovações na análise de crédito e no baixo interesse das instituições financeiras privadas em assumir riscos.
O principal entrave é a exigência de nome limpo. Segundo a Associação de Motoristas de Aplicativo de São Paulo, cerca de 92% da categoria possui restrições no CPF, o que impede a aprovação do crédito. Para muitos profissionais, o programa acaba beneficiando apenas quem já tinha condições financeiras, enquanto os demais permanecem dependentes de locações de veículos com preços elevados. Mesmo com o aumento do limite de financiamento para R$ 200 mil, a barreira do CPF negativado continua excluindo a maior parte da classe.
O programa também enfrenta problemas operacionais. O Move Brasil começou a operar antes da conclusão do Fundo Garantidor para Investimentos (FGI), instrumento criado para reduzir o risco dos bancos em caso de calote. O atraso de duas semanas na implementação do fundo gerou insegurança nas instituições financeiras. Além disso, o regulamento não exige que os carros financiados sejam produzidos no Brasil, o que abriu espaço para o fortalecimento de montadoras chinesas que vendem modelos importados ou montados no país com peças vindas de fora.
O desempenho do programa é comparado ao fracasso do Voa Brasil, que vendeu menos de 2% das passagens aéreas prometidas aos aposentados. Dados do Google Trends mostram que, após um pico de buscas no lançamento em junho, o interesse pelo termo caiu entre 70% e 80% nos meses de julho e agosto. Representantes da categoria também reclamam da falta de diálogo direto com o governo, afirmando que as conversas são priorizadas com sindicalistas, que não seriam vistos como os reais porta-vozes dos motoristas de aplicativo.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentarPor
Redação