Qual o futuro do bolsonarismo após Flávio Bolsonaro deixar o Brasil e se declarar 'o verdadeiro presidente do Brasil'?
A saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil rumo aos Estados Unidos, após a derrota na eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), deixou em aberto o futuro do bolsonarismo. Em pronunciamento divulgado em sua conta na rede social X, o senador se autodeclarou "o verdadeiro presidente do Brasil" e afirmou que houve "fraude eleitoral", sem apresentar provas. Em seguida, apagou a manifestação e publicou outra, quase idêntica, na qual reafirmou a suposta fraude, mas se declarou "o líder do Brasil". Flávio disse ainda que vai liderar a oposição a Lula a partir dos Estados Unidos e que apresentará uma estratégia para mobilizar a oposição "por todos os meios pacíficos e legítimos".
O resultado da eleição foi reconhecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), presidido pelo ministro Kassio Nunes Marques, e pelos principais partidos brasileiros, incluindo o PL. Para o cientista político Marco Antonio Carvalho Teixeira, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a atuação dos irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos não terá apoio da maioria da sociedade. Ele lembra que o tarifaço adotado pela Casa Branca contra o Brasil foi mal visto pela população. "É muito claro que Flávio vai pra lá tentar fazer uma articulação de fora pra dentro. Agora, quanto a classe política brasileira, inclusive o próprio PL, vai dar ressonância? Ao que parece, os partidos, quase de maneira uníssona, até o PL, já abriram mão de contestar qualquer coisa em relação à eleição de Lula", afirmou.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não quis comentar a autodeclaração de Flávio ao ser questionado por jornalistas. Já o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), divulgou pronunciamento em que diz entender a "revolta" do senador, mas não apoia sua contestação do resultado eleitoral. "O caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente. O momento exige responsabilidade, serenidade e a construção de uma oposição forte, capaz de exercer seu papel", declarou.
Flávio deixou o país após o ministro do STF Alexandre de Moraes determinar a apreensão de seu passaporte, atendendo a pedido da Polícia Federal em inquérito que apura suposta lavagem de dinheiro do senador em parceria com o advogado e empresário Willer Tomaz. O senador nega as acusações e diz sofrer "perseguição política".
Os especialistas ouvidos se dividem sobre o futuro do movimento após uma série de reveses da família: duas derrotas presidenciais seguidas, a prisão de Jair Bolsonaro (PL) e o êxodo dos dois filhos com maior projeção política. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) estreará em 2027 em seu primeiro mandato eletivo, como senadora pelo Distrito Federal. Carlos Bolsonaro (PL) e Jair Renan (PL) também chegarão ao Congresso no próximo ano — Carlos como senador e Renan como deputado federal, ambos por Santa Catarina. A cientista política Daniela Costanzo, do Cebrap, avalia que o bolsonarismo se organiza como um "partido digital", o que garante base sólida, mas vê a liderança de Flávio enfraquecida e aponta outros nomes em ascensão, como Tarcísio de Freitas, Sergio Moro (PL), eleito governador do Paraná, Cleitinho Azevedo (Republicanos), governador eleito de Minas Gerais, e o deputado reeleito Nikolas Ferreira (PL-MG). No clã, ela vê Michelle com mais potencial de liderança.
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