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Ray Dalio: IA será ‘milagrosa’, mas criará uma bolha ‘devastadora’

Atualizado em 23/09/2026 às 06:20 schedule 3 min de leitura visibility 0 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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O investidor Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates, afirmou que a inteligência artificial terá um impacto duplo: será uma força transformadora de produtividade, mas também dará origem a uma bolha de mercado com efeitos devastadores. Em vídeo para o Fórum Econômico Mundial, ele disse que otimistas e pessimistas estão certos em suas previsões sobre a tecnologia.

Segundo Dalio, o processo se repete com grandes inovações: como todos querem investir porque acreditam que a tecnologia vai mudar o mundo, o excesso de investimento e o endividamento criam uma bolha que depois estoura. "Ao mesmo tempo em que será uma das maiores forças de aumento de produtividade e de transformação do mundo, também será uma bolha que terá efeitos devastadores sobre muitas pessoas à medida que esse processo se desenrolar", afirmou.

O argumento tem precedentes. Durante a bolha das empresas pontocom, o Nasdaq subiu 86% somente em 1999 e, em outubro de 2002, havia caído 77% em relação ao pico, eliminando trilhões de dólares em valor de mercado. Ainda assim, a internet se tornou um meio de comunicação e negócios transformador. Para Conrad DeQuadros, chefe de economia do Citi Wealth, existem diferenças fundamentais entre o ciclo atual e bolhas anteriores: as margens agregadas das empresas americanas permanecem próximas das máximas históricas, e elas entram neste ciclo a partir de uma posição de lucratividade e solidez financeira. Jamie Dimon, CEO do JPMorgan Chase, sugeriu que algumas partes do setor de IA estão em território de bolha, mas não necessariamente todo o ecossistema.

Dalio também destaca que a IA vai gerar enorme riqueza para algumas pessoas, enquanto a maioria não se beneficiará adequadamente. "A verdadeira questão não é tanto a IA, mas a natureza humana", disse, acrescentando que as diferenças de riqueza e de oportunidades serão as grandes questões do tempo atual. Dados do Federal Reserve mostram essa divisão na posse de ações: no segundo trimestre de 2026, os 50% mais pobres das famílias americanas detinham US$ 0,37 trilhão em ações de empresas e fundos mútuos, enquanto os 0,1% mais ricos possuíam US$ 16,15 trilhões e os 10% seguintes, US$ 24 trilhões.

Entre os principais nomes do Bloomberg Billionaires Index, nove dos dez primeiros construíram suas fortunas no setor de tecnologia, como Elon Musk, Larry Page e Jeff Bezos. Alguns líderes de IA já sinalizam disposição para compartilhar os lucros: Jensen Huang, fundador da Nvidia, afirmou estar aberto a propostas de tributação, descrevendo-as como uma "ótima maneira de contribuirmos de volta para a sociedade e para a economia".

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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