Real, ações e renda fixa derretem após reeleição de Lula: o que fazer agora?
A primeira segunda-feira após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi de forte aversão a risco nos mercados brasileiros. O Ibovespa caiu 13,88%, aos 176.608 pontos, depois de ter fechado a sexta-feira acima dos 205 mil pontos. Durante o pregão, o índice chegou a recuar mais de 17% e acionou o circuit breaker pela primeira vez desde março de 2020. O dólar comercial subiu 8,25%, a R$ 5,40.
Na renda fixa, os títulos prefixados do Tesouro Direto registraram a maior alta diária de taxas da série histórica do Tesouro, superando o recorde de março de 2020. Na abertura das negociações, a taxa do Tesouro Prefixado 2032 saltou de 12,89% para 15,78% ao ano, e o juro real do Tesouro IPCA+ 2050 passou de IPCA + 6,42% para IPCA + 7,64%. As taxas recuaram ao longo da tarde, mas seguiram muito acima dos níveis de sexta. O Tesouro Nacional cancelou os leilões de títulos prefixados e atrelados à inflação previstos para a semana e manteve apenas a oferta de papéis atrelados à Selic.
Para Vinícius Romano, coordenador de Investimentos da Suno Consultora, boa parte do movimento é uma devolução da alta ocorrida logo após o primeiro turno. Ele lembra que eleição não é um tema surpresa, como uma pandemia, e não deveria mudar a estratégia do investidor. A maioria dos especialistas ouvidos desaconselha movimentos bruscos, mas há divergências sobre onde alocar o dinheiro agora.
Na Bolsa, a dúvida é se a queda deixou as ações baratas ou apenas desfez o otimismo eleitoral. Felipe Balassiano, head de multimercados do ASA, afirma que o mercado “só devolve o prêmio eleitoral deste mês”. Rai Chicoli, estrategista-chefe da Monte Bravo, avalia que o mercado passou a precificar chance maior de o governo não endereçar a questão fiscal: se o tema for encaminhado, a Bolsa se mostrará barata mais à frente; se não, pode seguir cara mesmo após a queda. José Faria Junior, diretor da Wagner Investimentos, não vê oportunidade, citando os lucros elevados das empresas americanas e os juros altos nos Estados Unidos. Romano, por sua vez, vê espaço para novos aportes em empresas de qualidade dos setores financeiro e elétrico. Exportadoras e empresas de commodities tendem a resistir melhor, enquanto varejo e construtoras endividadas tendem a sofrer mais.
No Tesouro Direto, Bruno Corano, CEO do Corano Capital, defende não fazer nenhum movimento logo após a eleição e vê o Tesouro Selic como melhor opção para dinheiro novo, com a Selic em 13,75% ao ano. Glauber Sá, fundador da Akros Consultoria, enxerga nas taxas reais elevadas uma oportunidade para quem tem horizonte longo e tolera volatilidade, com preferência pelo IPCA+. Para quem quer travar taxa, Corano sugere dividir o valor em três ou quatro parcelas, e Sá recomenda um primeiro movimento imediato seguido de vários aportes.
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