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Saiba como manifestar intenção de doar órgãos por meio de cartórios

Atualizado em 20/09/2026 às 18:20 schedule 3 min de leitura visibility 1 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Mais de 32 mil brasileiros já recorreram aos cartórios de notas para registrar formalmente a intenção de doar órgãos desde a criação da Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (Aedo), em 2024. O tema ganha destaque no Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre a doação de órgãos, em um país onde mais de 49 mil pessoas aguardam atualmente por um transplante.

Segundo o Colégio Notarial do Brasil – Conselho Federal (CNB/CF), o procedimento é gratuito e feito integralmente pela internet. O interessado acessa a plataforma da Aedo, disponível no e-Notariado, preenche seus dados e escolhe um cartório de notas. Em seguida, participa de uma videoconferência com o tabelião para confirmar sua identidade e sua vontade de doar. O documento é assinado eletronicamente e passa a integrar a Central Nacional de Doadores de Órgãos, consultada por profissionais autorizados do Sistema Nacional de Transplantes. Não é necessário comparecer presencialmente ao cartório.

O cidadão pode indicar quais órgãos, tecidos ou partes do corpo deseja doar e revogar a autorização a qualquer momento. Dados dos cartórios mostram 32.587 solicitações de Aedo no país: 18.659 em 2024, 8.886 em 2025 e 5.042 em 2026, conforme os registros mais recentes da plataforma. A queda pode ser atribuída a menos campanhas de divulgação da iniciativa. São Paulo concentra o maior número de manifestações, com 9.399 solicitações, seguido por Paraná (3.818), Rio de Janeiro (2.930), Minas Gerais (2.172) e Rio Grande do Sul (2.012). Há registros em todas as unidades da Federação.

Um dos principais desafios segue sendo a autorização familiar. No Brasil, a retirada de órgãos após a morte depende da concordância da família, mesmo quando a pessoa manifestou em vida o desejo de ser doadora. A taxa média de recusa familiar gira em torno de 45%, e entre os motivos apontados estão o desconhecimento sobre a vontade do potencial doador e dúvidas sobre o procedimento. "A decisão final continua sendo da família. Por isso, tão importante quanto registrar a vontade de ser doador é conversar sobre ela. A Aedo permite que essa manifestação fique formalizada e ajuda a levar esse assunto para dentro das famílias, para que elas conheçam previamente a decisão de quem deseja doar", afirma Eduardo Calais, presidente do CNB/CF.

Dados do Ministério da Saúde divulgados este mês apontam que mais de 49 mil pessoas aguardam por um transplante no Brasil, sendo cerca de 45 mil por um rim. Somente na fila por uma córnea estão 37.719 pessoas, segundo levantamento do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), número 15% maior que o registrado em dezembro de 2025. No próximo dia 27 de setembro é celebrado o Dia Nacional de Doação de Órgãos, data criada para estimular a discussão sobre o tema e incentivar as pessoas a comunicarem aos familiares sua vontade de serem doadoras.

Esta matéria foi publicada primeiro em Saúde · Agência Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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