Santander Brasil supera em lucro, mas inadimplência segue no radar; ação cai forte
O Santander Brasil (SANB11) apresentou um balanço misto no terceiro trimestre de 2026. O lucro líquido gerencial recorrente ficou em R$ 2,9 bilhões, com retorno sobre patrimônio (ROE) de cerca de 12%, abaixo dos níveis históricos e distante dos principais concorrentes privados. O resultado superou as projeções do Bradesco BBI, mas ficou abaixo das expectativas do mercado. O JPMorgan classificou o trimestre como fraco, citando receitas decepcionantes, provisões elevadas e deterioração do capital. No dia, as ações caíram 5,88%, a R$ 24,35, acompanhando também a forte queda do Ibovespa.
Segundo os analistas, a melhora do lucro foi sustentada principalmente pela eficiência operacional. As despesas operacionais recuaram 3% em relação ao trimestre anterior, e o índice de eficiência melhorou para 38,8%, um dos principais pontos positivos do balanço. As receitas, porém, seguem pressionadas. A carteira ampliada cresceu apenas 0,9% na comparação trimestral e 4,7% em 12 meses. Parte da desaceleração veio da venda de uma carteira de financiamento de veículos de R$ 5 bilhões para um FIDC, mas, mesmo sem esse efeito, os analistas veem demanda por crédito mais fraca.
O crescimento ficou concentrado em grandes empresas, cuja carteira avançou cerca de 8% em um ano, enquanto o segmento de pessoa física continuou encolhendo. Para o Itaú BBA, essa mudança de mix ajuda a explicar a compressão das margens, já que operações corporativas costumam gerar spreads menores. O spread com clientes caiu para 9,7%, ante 10,03% no trimestre anterior. A margem financeira total recuou na comparação trimestral e anual, com a perda na margem de mercado aumentando para R$ 895 milhões no trimestre. O JPMorgan atribui a pressão à queda da Selic, ao aumento dos diferimentos de comissões pagas a correspondentes bancários e ao impacto da venda da carteira de veículos.
A qualidade dos ativos trouxe sinais mistos. A inadimplência de curto prazo, entre 15 e 90 dias, melhorou, especialmente entre pequenas e médias empresas — apontada pelo Bradesco BBI como surpresa positiva. Já a inadimplência acima de 90 dias subiu para 3,4%, puxada pelo segmento de pessoas físicas, onde o indicador avançou 40 pontos-base em relação ao trimestre anterior. As despesas com provisões recuaram 2,5% na comparação trimestral, mas parte da melhora decorreu de efeitos extraordinários ligados à venda de carteiras e a reversões contábeis; excluídos esses fatores, o custo de crédito teria ficado praticamente estável.
O capital regulatório segue no radar. O índice CET1 caiu 30 pontos-base no trimestre, para 10,9%, pressionado pelo crescimento dos ativos ponderados pelo risco, por distribuições de capital e pelo aumento dos créditos tributários. Para o JPMorgan, a trajetória do capital está entre os temas mais sensíveis da tese de investimento do banco. Itaú BBA e Bradesco BBI mantêm recomendação neutra para SANB11, com preços-alvo de R$ 29 e R$ 27, respectivamente. A avaliação comum é que, apesar dos avanços em eficiência e da disciplina de custos, a combinação de crescimento fraco, pressão sobre margens e incertezas na qualidade dos ativos dificulta uma recuperação mais robusta da rentabilidade nos próximos trimestres.
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