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Saúde mental após perda gestacional requer atenção de profissionais

Por Redação
Atualizado em 05/09/2026 às 19:10 schedule 3 min de leitura visibility 3 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Perda gestacional exige acolhimento e atenção à saúde mental, alerta Febrasgo

Nascida em uma família grande em Manaus, Kalyane Ribeiro não imaginava que teria dificuldades para engravidar. Mas, aos 32 anos, após um ano e meio de tentativas, ela passou por uma perda gestacional precoce, interrupção involuntária da gravidez que pode ocorrer até a 20ª semana. “Quando a gente passa por uma perda gestacional, mesmo que seja precoce, a gente entra em um buraco. Parece que a gente abre uma porta para um lugar com poucas pessoas dentro, e as pessoas que estão do lado de fora não conseguem saber o que tem lá”, relatou.

O cuidado com a saúde mental após a perda gestacional ainda é negligenciado, segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). Neste Setembro Amarelo, campanha de conscientização sobre a prevenção ao suicídio, a entidade alerta para a necessidade de acolhimento. “As pessoas do mundo real não querem saber. Você só escuta um ‘vai ter que tentar de novo, vai dar certo’. Só que não é uma questão de substituir o filho”, disse Kalyane.

A perda gestacional é um evento traumático e exige assistência especializada, ressalta o obstetra Romulo Negrini, vice-presidente da Comissão Nacional Especializada em Assistência ao Abortamento, Parto e Puerpério da Febrasgo. “Independentemente da idade gestacional, a perda pode provocar tristeza profunda, sensação de vazio, culpa, ansiedade, dificuldade para dormir, irritabilidade e perda de interesse pelas atividades do dia a dia. Sofrer intensamente nesse momento é uma reação humana esperada e não significa, por si só, que a mulher tenha desenvolvido uma doença psiquiátrica”, explica.

Entre 15% e 20% das gestações não evoluem, de acordo com o obstetra Eduardo Felix Martins Santana, integrante da comissão da Febrasgo e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Ele defende a aproximação do cuidado médico, familiar e dos amigos. A psiquiatra Andréa Cristina Galastri, professora do Instituto de Educação Médica (Idomed), acrescenta que a queda hormonal após a perda, que dura cerca de 15 dias, também impacta a saúde mental. “O sofrimento é esperado e é natural. Mas a paralisia da vida, não”, afirma. Quando o quadro persiste por mais de um mês, com depressão ou luto patológico, a indicação é psicoterapia e medicação.

Kalyane, hoje com 34 anos e morando em Campinas (SP), encontrou força nas experiências de outras mulheres e criou uma comunidade online para acolher quem passou pela mesma situação. Desses encontros surgiu o livro “Ainda Me Sinto Mãe”, com relatos sobre a perda gestacional. Pessoas com pensamentos de acabar com a própria vida devem buscar ajuda em serviços de saúde, como os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), Unidades Básicas de Saúde, UPA 24H, SAMU 192 e hospitais. O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito pelo telefone 188, 24 horas por dia.

Esta matéria foi publicada primeiro em Saúde · Agência Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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