Taxas dos DIs recuam com petróleo em baixa e eleição no radar
As taxas dos DIs fecharam a terça-feira em baixa, acompanhando o recuo do petróleo no exterior, em meio à expectativa de que as negociações entre Estados Unidos e Irã possam avançar. No mercado doméstico, a disputa presidencial e a ata do último encontro do Copom também influenciaram os negócios.
No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,475%, com baixa de 5 pontos-base ante o ajuste de 13,528% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 13,95%, com queda de 8 pontos-base ante 14,028%.
Na noite de segunda-feira, uma nova pesquisa Quaest mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com 42% das intenções de voto na simulação de segundo turno, contra 41% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais, os dois estão em empate técnico na disputa pelo Planalto. Na semana anterior, Flávio tinha os mesmos 42% e Lula somava 40%.
Dois profissionais ouvidos pela Reuters pontuaram que, embora persista o empate técnico na pesquisa Quaest, o fato de a vantagem numérica de Flávio no segundo turno ter diminuído foi mal-recebido. Isso porque Lula ainda é visto com desconfiança por boa parte do mercado, que enxerga sua reeleição como um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação. Em função disso, as taxas dos DIs sustentaram ganhos durante boa parte da manhã, ainda que no exterior os rendimentos dos Treasuries e o petróleo estivessem em baixa.
Na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse acreditar em um acordo com o Irã apenas depois das eleições legislativas norte-americanas, em novembro. Após o discurso, afirmou a repórteres que autoridades dos dois países tiveram uma reunião "muito boa", de três horas, nesta terça-feira. O estrategista-chefe e sócio da EPS Investimentos, Luciano Rostagno, comentou que as declarações mais otimistas de Trump em relação ao Irã ajudaram a reduzir o preço do petróleo, e que o cenário externo conduziu as taxas dos DIs para o território negativo.
Mais cedo, os investidores digeriram a ata do Copom, que defendeu a manutenção do nível restritivo da taxa básica Selic, hoje em 13,75%, diante da pressão da demanda, ainda que se observe arrefecimento da atividade econômica, do crédito e da inflação. Para o economista Carlos Lopes, do banco BV, o cenário para o próximo encontro do Copom segue "completamente aberto". A próxima reunião do Copom ocorrerá no início de novembro, já após o segundo turno da eleição presidencial.
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Por Redação