Taxas dos DIs têm baixas firmes em sessão de ajustes após disparada da véspera
As taxas dos DIs fecharam o pregão de terça-feira com baixas firmes, em uma sessão marcada pelo ajuste de posições dos investidores após a forte alta da véspera. No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 14,41%, recuo de 41 pontos-base ante o ajuste de 14,822% da segunda-feira, quando o mercado reagiu negativamente à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Já a taxa do DI para janeiro de 2031 estava em 14,935%, com baixa de 34 pontos-base ante 15,277%.
Na véspera, os prêmios na curva haviam disparado mais de 250 pontos-base, refletindo tanto um ajuste em relação às baixas vistas após o primeiro turno, quando o senador Flávio Bolsonaro (PL) estava à frente de Lula, quanto as preocupações dos investidores com o futuro da política fiscal. Apesar do recuo desta terça-feira, as taxas permaneceram próximas da maior cotação em seis meses e ficaram longe de compensar a disparada anterior, seguindo bem acima dos níveis vistos antes do primeiro turno.
O Tesouro Nacional contribuiu para acomodar as taxas ao realizar um leilão de recompra de Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B), títulos indexados à inflação. O órgão recomprou 3,815 milhões de NTN-B, em certame com valor total de cerca de R$ 16,8 bilhões. Como na véspera já havia recomprado R$ 14,8 bilhões em papéis prefixados e indexados à inflação, a operação elevou para cerca de R$ 31,6 bilhões as recompras em dois dias, com o objetivo de minimizar a pressão de alta sobre as taxas futuras. Mais cedo, o Tesouro havia cancelado o leilão de venda de Letras Financeiras do Tesouro (LFT), títulos indexados à Selic.
Em entrevista a jornalistas no Ministério da Fazenda pela manhã, o ministro Dario Durigan afirmou que a forte pressão vista na segunda-feira na bolsa, no câmbio e no mercado de juros futuros representou uma "troca de posição, porque o mercado estava apostando em outro candidato". Para ele, já ocorreu nesta terça-feira uma reação de acomodação de expectativas. Durigan também reafirmou a intenção do governo de buscar o centro da meta fiscal, medida que, segundo ele, será tratada com o Congresso.
No mercado, uma das principais preocupações é justamente a política fiscal do governo Lula, considerada insuficiente para equilibrar as contas públicas e reduzir a dívida. "Vejo um movimento comum de arrefecimento momentâneo, após uma forte explosão de alta do juro futuro, porém a perspectiva ainda continua em tendência elevada", comentou Marcos Bassani, estrategista de investimentos e sócio-fundador da Boa Brasil Capital. No exterior, em meio à expectativa para a decisão sobre juros do Federal Reserve, na quarta-feira, o rendimento do Treasury de dez anos mostrava estabilidade às 16h35, a 4,986%.
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