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Tesouro prevê dívida bruta em 89,7% do PIB em 2030 com pressão de juros elevados

Por Redação
Atualizado em 04/11/2026 às 16:50 schedule 4 min de leitura visibility 4 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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A dívida bruta do governo central deve seguir em trajetória de alta e atingir o pico de 89,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2030, segundo a 8ª edição do Relatório de Riscos Fiscais da União (RRFU), divulgado pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN), do Ministério da Fazenda. O documento atribui o movimento ao descompasso entre o custo dos juros e o ritmo de crescimento da economia.

Pelo cenário central, a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) encerra 2026 em 83,7% do PIB, avanço de 5,1 pontos percentuais sobre o fim de 2025. A partir de 2030, a projeção indica reversão gradual, com recuo para 86,3% do PIB ao final do horizonte analisado, em 2036. A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) segue dinâmica parecida: sobe de 71% em 2026 para o teto de 78,4% do PIB em 2030 e cai para 75,6% em 2036.

O principal vetor de pressão no médio prazo é a conta de juros nominais, que deve adicionar, em média, 8,4 pontos percentuais do PIB ao ano à dívida bruta entre 2026 e 2030. O crescimento econômico amortece parte desse avanço: o PIB nominal deve abater 6,0 pontos percentuais anuais da relação dívida/PIB, sendo 2,1 pontos pelo crescimento real e 3,9 pontos pelo efeito do deflator. O Tesouro estima que cada ponto percentual adicional na taxa Selic ao ano, frente ao cenário base, representaria impacto fiscal acumulado de R$ 476 bilhões em despesas com juros entre 2027 e 2030.

O relatório também apresenta simulações de estresse. Em cenários com choques combinados — juros mais altos, menor crescimento e resultado primário desfavorável —, a dívida bruta superaria 100% do PIB já a partir de 2033. Na hipótese de o país enfrentar simultaneamente queda de 0,5 ponto percentual no crescimento ao ano, alta de 1 ponto percentual nos juros e déficits primários de 0,5% do PIB ao ano, a DBGG chegaria a 103,4% do PIB em 2036, 17,1 pontos acima do cenário central. No sentido oposto, melhora fiscal aliada a juros menores e aceleração da atividade reduziria a dívida a 71,3% do PIB no mesmo período.

O documento ressalta que uma trajetória sustentada de queda da relação dívida/PIB depende da continuidade de reformas estruturais voltadas à melhoria do ambiente de negócios, ao aumento da produtividade e do crescimento, com destaque para medidas de consolidação fiscal. Além da dinâmica macroeconômica, a exposição total da União a riscos fiscais específicos alcançou R$ 4,87 trilhões em 2025. Entre os vetores monitorados estão os passivos judiciais, cujo estoque de ações contra o governo atingiu R$ 2,18 trilhões em junho de 2026, com despesa efetiva de perdas judiciais e precatórios passando de 2,5% das despesas primárias em 2017 para projeção de 4,6% em 2026 (R$ 121,3 bilhões).

O relatório cita ainda a inadimplência e as garantias de empréstimos a estados e municípios, que somaram R$ 1,21 trilhão até junho de 2026. A limitação ao pagamento de precatórios por entes federativos prevista na Emenda Constitucional nº 136/2025 alivia o curto prazo, mas amplia o risco de a União precisar socorrer estados e municípios no futuro. Eventos climáticos e ambientais também são apontados como fonte de pressão, por elevarem a necessidade de créditos extraordinários e gastos de reconstrução de infraestrutura, com impactos fiscais de difícil previsibilidade.

Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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