Treasuries subiram demais e janela para investir se abriu, avalia JPMorgan Asset
Os juros dos títulos do Tesouro americano voltaram a renovar as máximas dos últimos 24 anos, mas, apesar da volatilidade, pode ter se aberto uma janela de alocação ao menos nos trechos mais curtos da curva. A avaliação é de Marina Valentini, estrategista de mercados globais da JPMorgan Asset Management, para quem o mercado pode ter pesado demais a mão na expectativa de altas de juros nos Estados Unidos.
Segundo a estrategista, o investidor brasileiro deve reconhecer que surgiu uma oportunidade interessante em prazos curtos nos EUA, justamente por causa da precificação agressiva das expectativas sobre os juros do Fed, que podem não se materializar. Ela lembra que, historicamente, o rendimento de entrada explica boa parte do retorno seguinte, e que a renda fixa de qualidade americana voltou a pagar perto de 5%.
A disparada dos rendimentos dos Treasuries decorre, na visão de Valentini, de um conjunto de fatores. Na ponta curta, pesam o petróleo caro e um presidente do Fed mais duro; na longa, o fiscal e a preocupação com a dívida americana, além da mudança no perfil dos compradores de títulos. Para ela, o cenário indica um "novo novo normal", com juros provavelmente mais altos do que na década anterior.
A preferência da casa, por gestão de risco, é pelo meio da curva, em vencimentos de cerca de cinco anos, enquanto os papéis longos seguem expostos ao fiscal americano, europeu e japonês e às incertezas do petróleo. A avaliação é de que o Fed fará apenas mais uma alta de juro, em dezembro, seguida de pausa em 2027.
No mercado acionário, a estrategista ressalta que os múltiplos ficaram menos esticados do que no início do ano e que as empresas chegam à temporada de balanços do terceiro trimestre com dívida mais baixa e margens nas máximas. Ainda assim, alerta para um risco de concentração sem precedentes, com as dez maiores empresas representando 40% do índice S&P 500, o que reforça a defesa de seletividade e diversificação com gestão ativa.
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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Por Redação