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Tropas dos EUA deixam o Iraque após 20 anos: por que agora, o que mudou e o que vem a seguir?

Atualizado em 29/09/2026 às 20:35 schedule 3 min de leitura visibility 0 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Os Estados Unidos devem concluir até esta quarta-feira, 30 de setembro, a retirada de suas últimas tropas do Iraque, encerrando mais de duas décadas de atuação militar no país. A saída marca o fim de uma operação iniciada com a invasão liderada pelos EUA em 2003, que derrubou Saddam Hussein e abriu caminho para anos de insurgência e violência sectária. Embora as forças americanas tenham deixado o país em 2011, elas retornaram em 2014 para apoiar o Iraque na luta contra o grupo autointitulado Estado Islâmico (EI).

Oficialmente, a retirada ocorre após um acordo de 2024 entre Washington e Bagdá para encerrar a Operação Resolução Inerente, a missão da coalizão liderada pelos EUA contra o EI. No auge da Guerra do Iraque, em 2007, mais de 170.000 soldados americanos estavam mobilizados no país. Em dezembro de 2023, antes do acordo de retirada ser firmado, esse número havia caído para cerca de 2.400, segundo o Comando Central dos EUA. Desde então, as forças americanas reduziram sua presença, deixando apenas um pequeno contingente na região autônoma do Curdistão, no norte do Iraque.

Segundo especialistas, a medida também reflete a pressão política de longa data dentro do Iraque. Douglas Silliman, que atuou como embaixador dos EUA no Iraque entre 2016 e 2019, afirma que sucessivos governos enfrentaram exigências para o fim da presença militar americana, que muitos consideram uma violação da soberania iraquiana. Analistas argumentam ainda que o momento da partida deste mês é motivado mais por preocupações de segurança do que pelo fim oficial da missão contra o Estado Islâmico, em meio a tensões regionais envolvendo o Irã e ataques a instalações americanas no norte do Iraque.

Mais de duas décadas após a invasão, as avaliações do legado militar dos EUA no Iraque permanecem divergentes. Para Safwan Al-Amin, pesquisador do Atlantic Council, a invasão não alcançou seus objetivos e desestabilizou a região, permitindo que o Irã expandisse sua influência. Já Yerevan Saeed, da Universidade Americana em Washington, considera a remoção do antigo regime um grande feito e avalia que o país tem hoje mais liberdade política e pluralismo do que antes de 2003, com destaque para o Curdistão iraquiano. HA Hellyer, do think tank britânico RUSI, rejeita enquadrar o legado em torno da democracia e afirma que o impacto regional mais duradouro foi a infiltração de redes iranianas dentro do próprio Estado.

Para Al-Amin, a retirada não representa o fim da influência americana no Iraque, sustentada pela dependência iraquiana das receitas petrolíferas em dólares e pela compra de armamento e apoio diplomático de Washington. Silliman prevê que a cooperação entre os dois países permaneça estreita, incluindo treinamento, planejamento militar e contraterrorismo. A maior incógnita, porém, continua sendo o futuro das milícias iraquianas apoiadas pelo Irã, que o primeiro-ministro iraquiano pretendia colocar sob controle total do Estado.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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