Turma do Pagode defende isenção política de artistas e comenta polêmica com Jorge e Mateus
Os cantores Caramelo e Leizinho, do grupo Turma do Pagode, defenderam durante o podcast "g1 ouviu" o direito de artistas não se posicionarem politicamente. A dupla também comentou os recentes cancelamentos de shows da dupla sertaneja Jorge & Mateus em capitais do Nordeste.
Leizinho afirmou que a cobrança por posicionamento representa uma invasão da vida pessoal e que o recolhimento é uma escolha legítima. "Acho que nisso [de cobrar posicionamento] você acaba invadindo a vida pessoal da pessoa. A pessoa não é obrigada [a revelar] o partido dela", disse, lembrando ter mantido seu voto secreto durante o período eleitoral para evitar confusão.
Caramelo concordou com o colega e ressaltou que o regime democrático assegura tanto o direito à manifestação quanto ao silêncio, mas destacou que toda tomada de posição traz desdobramentos práticos. "Se você quer expor, você tem direito. Se você não quer expor, você também tem direito. Você tem direito de fazer o que você quiser, só que tudo tem uma consequência", concluiu.
A polêmica com Jorge e Mateus
A controvérsia envolvendo a dupla sertaneja começou após o cantor Jorge interpretar uma paródia do sucesso "Pode Chorar" com a frase "Pode chorar, mas eu não voto no PT". Na noite de terça-feira (3), o prefeito do Recife, Victor Marques (PCdoB), anunciou o cancelamento da apresentação da dupla no Réveillon da cidade, marcada para 27 de dezembro, justificando que "não há mais clima para a apresentação da dupla" em função das críticas nas redes sociais.
No mesmo dia, o prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão (PT), comunicou a retirada dos sertanejos da programação de Ano-Novo da capital cearense, alegando "questões que geraram polêmicas". Em sentido oposto, a Prefeitura de Salvador confirmou na quarta-feira (4) a dupla como uma das atrações do Festival Virada Salvador 2027. O prefeito Bruno Reis (União Brasil) afirmou que convicções políticas não são critério para contratação de shows públicos. "Nós vivemos numa democracia, temos que respeitar as opiniões divergentes", disse. Nas redes sociais, Jorge foi acusado de ter feito declarações xenofóbicas contra nordestinos, o que foi negado pelo cantor em nota oficial.
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