Ucrânia: concluída a evacuação da cidade de Oleshky
A operação humanitária que retirou os cerca de 2 mil habitantes de Oleshky, cidade no sul da Ucrânia sob controle das forças russas, foi concluída sem incidentes. A evacuação começou na sexta-feira (30/10) e ocorreu graças a um cessar-fogo temporário acordado entre Moscou e Kiev, que entrou em vigor em 27 de outubro.
Localizada na região de Kherson, na margem oriental do rio Dnipro, Oleshky está sob controle russo desde o início da invasão em grande escala da Ucrânia, em fevereiro de 2022. Os moradores enfrentavam há meses uma situação dramática, marcada por escassez de água, alimentos e medicamentos, bombardeios e dificuldades de conexão com as áreas vizinhas. A operação também previu a entrega de bens de primeira necessidade e a organização de corredores para que os moradores pudessem escolher entre se dirigir a territórios controlados por Kiev ou se transferir para a Federação Russa.
O acordo teve mediação dos Estados Unidos, com papel significativo atribuído a Melania Trump, e contou com o apoio da Santa Sé. O Papa Leão XIV havia feito apelos diretos a Vladimir Putin e, depois, a Volodymyr Zelensky, pedindo uma trégua que permitisse a entrada de ajuda alimentar e medicamentos e garantisse a evacuação voluntária e segura da população.
A trégua, no entanto, diz respeito exclusivamente a Oleshky e não resultou em suspensão geral das hostilidades. Enquanto os civis eram retirados, ataques russos continuavam em outras regiões do país. Kiev, Sumy e Kharkiv seguem entre as áreas mais expostas a bombardeios e incursões de drones. Nas últimas ofensivas, foram atingidos centros populacionais e infraestruturas civis e de transporte, com registro de vítimas e feridos.
No plano diplomático, a União Europeia reiterou a disposição de participar de negociações para pôr fim à guerra, mas condicionou o envolvimento a uma demonstração concreta por parte de Moscou de que deseja um acordo. A Alta Representante da UE para Assuntos Externos e Política de Segurança, Kaja Kallas, acusou a Rússia de não apresentar sinais concretos de abertura e exigiu um cessar-fogo imediato, completo e incondicional. A reunião do G20 dos ministros das Relações Exteriores, realizada em Atlanta, nos Estados Unidos, virou palco de novo confronto entre a Rússia e o Ocidente: a presença do chanceler russo, Sergej Lavrov, convidado pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, provocou tensões com representantes europeus, e a tradicional foto de grupo dos ministros foi cancelada após objeções de delegados que não queriam aparecer ao lado do representante do Kremlin.
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