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'Um clã tão radical quanto disfuncional', diz reportagem de capa do Financial Times sobre a família Bolsonaro

Atualizado em 26/09/2026 às 21:20 schedule 4 min de leitura visibility 0 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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A revista de fim de semana do Financial Times dedicou sua reportagem de capa à família Bolsonaro, sob o título "Escândalo e sucessão na Casa dos Bolsonaro". Assinado pelo chefe do escritório do jornal no Brasil, Michael Pooler, o texto descreve o clã como uma família "tão radical quanto disfuncional", que pode estar à beira de um retorno ao poder com a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência.

Segundo o jornal britânico, os Bolsonaro oscilam entre o conservadorismo e o caos e praticam um estilo paranoico de política. A reportagem compara a família à de Donald Trump, afirmando que ambas encarnam o espírito político dos anos 2020, com a fusão entre celebridade, redes sociais e busca pelo poder. O texto abre com um episódio de junho, quando a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro acusou o enteado Flávio de humilhá-la em uma disputa interna do partido e chamou a atitude dele de "uma facada nas costas". Para o FT, os detalhes da briga importavam pouco; o que chamou atenção foi a hostilidade aberta, que expôs uma fissura no centro da principal família da direita brasileira. Madrasta e enteado só fizeram as pazes publicamente em meados de agosto, após semanas de mediação de aliados — reconciliação que, segundo o jornal, não convenceu todo mundo. O pastor Silas Malafaia, aliado próximo da família, disse ao FT que a disputa é sobre herança política: "A briga é sobre quem vai carregar o nome".

O jornal descreve Jair Bolsonaro como um "rei-sol em declínio", em torno do qual orbitam a mulher e os três filhos mais velhos. Condenado a 27 anos de prisão por tramar a permanência ilegal no poder, ele cumpre prisão domiciliar em Brasília, com visitas restritas e proibido de se comunicar publicamente. Flávio, 45 anos, é apresentado como o "moderado autodeclarado" da família, descrito por pessoas próximas como o filho "mais normal". Carlos, 43, é o estrategista das redes sociais chamado de "pit bull da família". Eduardo, 42, que mora no Texas desde 2025, teve o mandato de deputado cassado e foi condenado à revelia em junho por pressionar autoridades americanas a interferir no julgamento do pai.

O FT dedica boa parte do texto à ascensão de Michelle, apontada como possível "arma secreta" dos Bolsonaro nesta eleição. Evangélica, 27 anos mais jovem que o marido e um ano mais nova que Flávio, ela deixou de ser uma primeira-dama discreta para se tornar, segundo uma pesquisa citada pelo jornal, a mulher mais poderosa do país. Hoje é candidata ao Senado pelo Distrito Federal, a pedido do marido. A reportagem relata ainda tropeços de Flávio em 2026, como um áudio vazado em maio no qual ele pede dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Flávio nega irregularidades e afirma que se tratava de um acordo privado.

Sobre o cenário eleitoral, o jornal afirma que a maioria das pesquisas mostra Lula ligeiramente à frente no primeiro turno, marcado para 4 de outubro, mas aponta empate técnico num eventual segundo turno. Se Flávio vencer, segundo o FT, os Bolsonaro se consolidarão como uma dinastia política; se perder, uma pessoa próxima de Jair contou ao jornal que o ex-presidente disse que "a era Bolsonaro acabou". A reportagem termina com uma frase do ex-chanceler Ernesto Araújo, para quem Bolsonaro "não é só um homem, é uma ideia".

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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