Vitória democrata nos EUA não deve aliviar pressão de Trump sobre Brasil, avaliam analistas
A vitória do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, as midterms, deverá ampliar os obstáculos à agenda interna do presidente Donald Trump, mas não deve aliviar a pressão que Washington exerce sobre o Brasil. A avaliação é de analistas ouvidos pela BBC News Brasil, segundo os quais a nova correlação de forças no Congresso americano não altera instrumentos como tarifas, sanções e outras medidas de política externa.
Os dados disponíveis apontam que os democratas voltarão a controlar a Câmara dos Representantes, com 237 parlamentares contra 139 republicanos até o momento, e o Senado, com 54 cadeiras contra 44 do partido de Trump. A definição ainda depende da apuração no Mississippi e no Alasca. A nova composição do Congresso passa a valer a partir de 3 de janeiro de 2027. Hoje, os republicanos têm maioria nas duas Casas, o que vinha permitindo a Trump governar sem grandes constrangimentos políticos.
Para o economista Otaviano Canuto, ex-vice-presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e ex-diretor do Banco Mundial, o Congresso mais democrata pode modificar a capacidade de interlocução com o Itamaraty, mas não terá condições de mexer na política comercial de Trump, onde estão as implicações mais fortes para a relação entre Washington e Brasília. Ele prevê mais pedidos de esclarecimentos e eventuais projetos contrários à agenda do Executivo, mas nada que afete as tarifas.
Lucas Leite, professor da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), avalia que o governo Lula pode ganhar mais interlocução no Congresso democrata, sobretudo em temas como meio ambiente, mas isso não será suficiente para mudar a política externa de Trump. Segundo ele, as ferramentas usadas pelo presidente americano fogem da esfera de atuação do Legislativo. Leite cita a taxa de 25% imposta em julho sobre uma série de importações brasileiras com base na Seção 301 e a aplicação da Lei Magnitsky, que restringe movimentações financeiras em ativos administrados pelos EUA.
Regiane Bressan, professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), aponta que as comissões de Relações Exteriores das duas Casas podem passar a ser presididas por democratas, o que levaria a mais pedidos de esclarecimentos ao Departamento de Estado. Na visão dos analistas, o Brasil não será prioridade dos parlamentares eleitos, que devem concentrar esforços na oposição às políticas internas de Trump, especialmente a de deportações.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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