Voos de baixo custo na Europa estão com os dias contados? Tarifas tendem a subir
O CEO da Ryanair, Michael O'Leary, afirmou que as tarifas aéreas na Europa devem subir cerca de 10% e podem chegar a 20% no próximo ano. O alerta foi feito à CNBC após a teleconferência de resultados da companhia, que é a maior aérea de baixo custo do mundo e a maior da Europa em tráfego de passageiros.
O principal fator por trás da pressão é o encarecimento do combustível. A guerra no Irã, já em seu nono mês, interrompeu cadeias de suprimentos globais e fechou efetivamente o Estreito de Ormuz, por onde passavam cerca de 20% do petróleo mundial antes do conflito. O petróleo Brent estava em torno de US$ 110 por barril na segunda-feira, alta de 70% em relação ao ano anterior. O querosene de aviação é o segundo maior custo das companhias aéreas, atrás apenas da mão de obra.
A Ryanair tem parte dessa alta amortecida por contratos de hedge de combustível. A empresa fixou o preço de US$ 67 por barril para 80% de suas necessidades até março de 2027. Para o próximo ano fiscal, porém, apenas 25% do combustível está protegido a cerca de US$ 95 por barril, deixando o restante exposto ao mercado. Segundo os resultados do segundo trimestre fiscal, a conta anual de combustível da companhia deve crescer cerca de 2 bilhões de euros no ano fiscal que termina em março de 2028. O'Leary disse que as tarifas precisariam subir 20%, ou cerca de 10 euros por passageiro, para cobrir essa despesa, mas admitiu que o repasse pode não ser suficiente. Para fechar a lacuna, a empresa revisa custos, incluindo congelamentos temporários de salários em acordos trabalhistas que vencem em abril e índices menores de tripulação.
A oferta de assentos também tende a encolher. A Ryanair reduziu sua meta anual de passageiros de 216 milhões para 214 milhões para o ano fiscal que termina em março e espera tráfego de inverno estável, limitando a exposição a combustível mais caro. O'Leary afirmou que concorrentes europeus já cortam capacidade, o que pode elevar preços à medida que os viajantes disputam menos assentos. Ele argumentou que as rivais, sob pressão financeira maior, terão pouca escolha além de subir tarifas, o que permitiria à Ryanair fazer o mesmo mantendo a vantagem de baixo custo e sustentando ou até ampliando margens.
Para os viajantes, o efeito se acumula. Um voo de 50 euros que suba 20% passaria a custar 60 euros — pouco isoladamente, mas relevante quando multiplicado por vários trechos e membros da família. O'Leary recomendou que quem planeja viajar no próximo verão procure passagens agora. "Eu os encorajaria a todos a reservar cedo, porque quanto mais você esperar, maior será a tarifa que pagará", disse.
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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