Votos do Nordeste demoram mais para chegar ao TSE? Tudo para acompanhar a apuração
A apuração dos votos no Brasil não segue um ritmo uniforme entre as regiões. Historicamente, estados e municípios do Sul e do Sudeste entregam os resultados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) antes das demais áreas do país, o que faz com que candidatos com maior votação nessas localidades apareçam na liderança nas primeiras horas da contagem.
Segundo especialistas, a explicação está na transmissão desordenada dos dados. O processo é dividido em três fases: a apuração, quando as urnas emitem o Boletim de Urna (BU); a transmissão, quando cada boletim é gravado em mídia física e levado ao cartório eleitoral; e a totalização, quando o TSE soma os dados e divulga os números ao país. O gargalo está na transmissão, etapa que depende da logística de cada localidade.
No Sul e no Sudeste, as seções costumam ter melhor infraestrutura e chegam mais rápido às juntas apuradoras, cujos sistemas já estão interligados à base do tribunal em Brasília. Já no Nordeste e no Norte, muitas seções precisam superar desafios logísticos, como trechos de até 50 ou 60 quilômetros de distância, trânsito intenso e trajetos por barco em locais remotos. Falhas técnicas na hora de fechar a urna também podem atrasar o envio dos resultados.
Esse descompasso produz viradas na totalização. Em 2014, o então senador Aécio Neves (PSDB) liderava com quase 90% das urnas apuradas, até que a entrada dos votos do Nordeste e do Norte levou Dilma Rousseff (PT) à liderança e à reeleição. Em 2022, a mudança de posições entre Jair Bolsonaro (PL) e Lula (PT) ocorreu pouco depois das 18h40, com 67,6% das urnas apuradas. Em 2018, a dinâmica foi diferente: Fernando Haddad (PT) chegou a somar 85% nos primeiros minutos, mas foi ultrapassado por Bolsonaro por volta das 17h10.
Por isso, a porcentagem inicial de votos de um candidato não indica o resultado final. O Distrito Federal tende a ser a unidade que primeiro entrega os dados ao TSE.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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