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Wall Street começa a questionar o boom dos data centers

Atualizado em 22/09/2026 às 09:20 schedule 4 min de leitura visibility 1 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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A reação negativa aos data centers, que já influencia debates eleitorais nos Estados Unidos, começa a chegar também a Wall Street. Empresas que operam essas instalações ou fornecem energia e terrenos para sua construção eram vistas como candidatas a liderar o mercado de ofertas públicas iniciais (IPOs) nos próximos meses, impulsionadas pelo apetite dos investidores por tudo o que estivesse ligado à inteligência artificial. Parte do mercado, porém, passou a demonstrar ceticismo crescente em relação às expectativas de crescimento do setor e aos riscos da expansão desses empreendimentos, levando executivos e banqueiros a recalibrar planos para captar dezenas de bilhões de dólares.

A SB Energy, subsidiária do conglomerado japonês SoftBank, que pretende construir em Ohio o maior projeto de data center do mundo, planejava realizar seu IPO ainda neste mês. A oferta foi adiada após investidores questionarem a avaliação pretendida pela companhia, superior a US$ 50 bilhões, segundo pessoas familiarizadas com a operação. Até o momento, os bancos coordenadores têm encontrado dificuldades para atrair compradores suficientes dentro da faixa de preço desejada pela empresa.

As dificuldades da SB Energy surgem em meio a outro revés para o setor. Na semana passada, a Holtec, empresa da indústria nuclear que pretende fornecer energia para aplicações de IA, anunciou a suspensão por tempo indeterminado de seu IPO, citando fatores que “comprometeram a confiança dos investidores no mercado de novas ofertas públicas”. A companhia apontou a “incerteza em torno do desenvolvimento de data centers” como principal motivo do adiamento. A Holtec Nuclear opera uma usina nuclear e desenvolve pequenos reatores que podem abastecer data centers. A empresa pretendia estrear na Nasdaq na semana passada e buscava levantar até US$ 900 milhões, em uma avaliação de até US$ 10 bilhões.

Outra empresa que desacelerou os preparativos para abrir capital é a geradora de energia Aggreko, segundo fontes a par do assunto. A companhia atende data centers de IA, além de eventos ao vivo e projetos de mineração, mas vinha destacando os clientes do setor tecnológico como responsáveis por um salto expressivo em sua receita ao longo do último ano. Embora o IPO ainda possa ocorrer no próximo mês, a empresa reduziu o ritmo do processo não apenas pelas incertezas envolvendo data centers, mas também pela alta dos juros e pelo ambiente econômico mais desafiador.

A oposição pública aos data centers vem crescendo há meses. Comunidades em várias regiões dos Estados Unidos, especialmente em áreas rurais, contestam a expansão dessas instalações, conhecidas pelo alto consumo de energia e pela grande ocupação territorial. À medida que o país se aproxima das eleições legislativas de meio de mandato, os data centers se transformaram em um tema incomum de convergência política, enfrentando resistência de eleitores dos dois principais partidos. Alguns estados americanos também começaram a adotar medidas para restringir novos projetos, criando obstáculos adicionais para empresas que buscam recursos junto ao mercado de capitais.

Apesar da cautela recente, a demanda por capacidade computacional continua enorme. Alguns banqueiros avaliam que o momento representa apenas um soluço temporário. Gestoras como a PIMCO estimam que serão necessários mais de US$ 5 trilhões em investimentos até 2030 para construir toda a infraestrutura exigida pelo boom da inteligência artificial. Uma das ofertas públicas mais aguardadas do ano, a da Anthropic, que depende fortemente de capacidade de processamento em data centers, continua prevista para ocorrer ainda neste semestre. Atualmente, existem apenas duas empresas listadas em Bolsa com foco exclusivo em data centers: Equinix e Digital Realty Trust. As ações de ambas acumulam queda entre 1% e 2% neste mês.

Segundo entrevistas com banqueiros, advogados e investidores, as empresas ligadas ao setor de data centers eram apontadas como responsáveis por cerca de um terço dos IPOs previstos para o restante de 2026. Enquanto isso, gigantes da tecnologia como Meta, Alphabet, Amazon, Microsoft e Oracle já se comprometeram a investir mais de US$ 1 trilhão em projetos próprios de infraestrutura. Para muitos investidores, os desenvolvedores de data centers inevitavelmente precisarão recorrer ao mercado acionário para financiar essa expansão.

“O tamanho do que essas empresas estão tentando construir é simplesmente gigantesco. Por isso, elas precisam acessar todas as principais fontes de capital disponíveis”, afirmou Tomasz Tunguz, sócio da gestora Theory Ventures e investidor do setor.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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