Controle cambial no Brasil? Gestores veem risco baixo, mas compram proteção
Grandes gestoras de recursos no Brasil têm adotado estratégias de proteção contra um eventual controle cambial no país nos próximos anos, embora avaliem que o risco desse cenário é baixo. A informação é de gestores ouvidos em evento do setor.
O fundo Verde, um dos maiores multimercados do país, está comprando proteções para o caso de o próximo governo adotar medidas que limitem ou encareçam a remessa de recursos ao exterior. Segundo o gestor Luís Stuhlberger, o fundo tem "muito dólar on-off", operação que consiste em comprar dólar no exterior e vender dólar futuro no Brasil. Ele explicou que, em uma crise em que o governo tentasse baixar juros de forma forçada, as remessas aumentariam e o governo poderia impedir a compra de dólar — o chamado risco de convertibilidade.
Outra grande gestora, que pediu para não ser identificada, também vem adotando estratégias para se precaver contra uma eventual limitação das remessas ao exterior. Como referência, cita o caso da Argentina, que por anos limitou a compra de moeda americana a US$ 200 mensais, no chamado "cepo cambiário". A casa comprou títulos no exterior e está vendida em dólar no Brasil, apostando que a moeda dispararia no mercado local e elevaria o cupom cambial.
Gestores afirmam que esse cenário só ocorreria no caso extremo de o governo manter déficit fiscal elevado, o que faria a dívida pública explodir e levaria à chamada dominância fiscal, quando a inflação dispara mesmo com o Banco Central elevando os juros. Nesse contexto, investidores e empresas tenderiam a mandar recursos para o exterior, e o governo tentaria conter o movimento com impostos ou limitação de remessas.
Stuhlberger acredita, porém, que a primeira medida em caso de crise cambial não seria a proibição de remessas, mas a cobrança de IOF sobre os envios. Ele avalia que o investidor pode ter de pagar taxas de 10% a 15% para comprar dólar, e que a proteção contra um cenário extremo custa cerca de 0,1% ao ano, podendo valer 10% a 20%. Já Alfredo Menezes, CEO e CIO da Armor Capital, defende que o ponto mais frágil do país é o fiscal, não o cambial. Segundo ele, com a alta do petróleo, a balança comercial deve registrar superávit de US$ 90 bilhões neste ano, enquanto o investimento estrangeiro direto segue forte, em cerca de 3% do PIB, cobrindo com folga o déficit externo de 2% do PIB. Menezes afirma que a Armor não tem hoje proteção para esse cenário, mas, se fosse montar uma, provavelmente usaria juros longos prefixados, por considerar esse o mercado mais frágil.
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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Por Redação