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Do voto feminino à habitação popular: quem foi Carmen Portinho, pioneira do feminismo no Brasil

Atualizado em 21/09/2026 às 12:50 schedule 3 min de leitura visibility 0 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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A engenheira Carmen Velasco Portinho (1903-2001) foi uma das pioneiras da luta feminista no Brasil e a primeira brasileira a obter o título de urbanista. Nascida em Corumbá, hoje Mato Grosso do Sul, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro em 1911, ainda criança, e desde a adolescência se envolveu com o ideário que buscava conferir cidadania plena às mulheres.

Nos anos 1920 e 1930, ao lado de nomes como a ativista, bióloga e educadora Bertha Lutz (1894-1976), Portinho atuou pela conquista do direito ao voto feminino, obtido pelas brasileiras em 1932. Segundo a historiadora Mary Del Priore, ela chegou a sobrevoar o Rio de Janeiro soltando panfletos em defesa do sufrágio. Em 1922, fundou com Bertha Lutz a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino; em 1930, criou a União Universitária Feminina, voltada a fomentar a inserção da mulher nas profissões liberais; e, em 1937, a Associação Brasileira de Engenheiras e Arquitetas.

Formada em engenharia em 1925 pela antiga Universidade do Brasil, hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro, tornou-se a terceira mulher brasileira a se formar engenheira. No ano seguinte, ingressou no quadro de engenheiros da Diretoria de Obras e Viação da prefeitura do Rio e passou a lecionar no Colégio Dom Pedro 2º, então um internato masculino com corpo docente formado apenas por homens. Em 1936, cursou pós-graduação em urbanismo na antiga Universidade do Distrito Federal, requisito à época para o título de urbanista. Para obtê-lo, apresentou um anteprojeto para a futura capital federal, Brasília, com formato de transatlântico e previsão de uma metrópole de 2 milhões de pessoas — apontado por especialistas como a primeira proposta para a cidade do Planalto Central baseada em conceitos do urbanismo moderno.

Uma bolsa do Conselho Britânico levou-a, em 1945, a uma temporada na Europa, onde acompanhou equipes de construção civil que recuperavam cidades destruídas pela Segunda Guerra. De volta ao Brasil, passou a defender o urbanismo e a arquitetura como instrumentos de transformação social. Criou e foi a primeira diretora do Departamento de Habitação Popular da Prefeitura do Distrito Federal e colaborou com o arquiteto Affonso Eduardo Reidy (1909-1964), seu companheiro, no projeto do Conjunto Habitacional Prefeito Mendes de Morais — Pedregulho, cuja ideia do complexo de moradia popular partiu dela.

Para a arquiteta e historiadora Flávia Brito do Nascimento, Portinho foi protagonista no momento histórico de estruturação do feminismo no Brasil. A socióloga Mayra Goulart, professora da UFRJ, destaca que sua grandeza está em não reduzir a pauta ao voto: para ela, cidadania significava ocupar plenamente a vida pública, o que articulava as frentes de votar, estudar e trabalhar fora de casa em igualdade com os homens.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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