Flávio Bolsonaro pede investigação contra diretor-geral da PF por suposto uso político da corporação
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) apresentou neste domingo (11) uma notícia-crime contra o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A defesa do senador pede que Rodrigues seja investigado por suposto uso da estrutura da corporação para beneficiar o PT, partido do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva.
O pedido tem como base o anúncio, feito pelo próprio diretor-geral no dia do primeiro turno das eleições, de que a PF havia iniciado uma apuração sobre suposta interferência dos Estados Unidos no pleito de 2026. Na ocasião, Rodrigues afirmou: “Recebemos representação da AGU [Advocacia-Geral da União] sugerindo apuração de interferência externa. Foi encaminhado para a Diretoria de Inteligência para dar início à apuração. É uma investigação em andamento, um procedimento prévio. Não foi publicada a portaria do inquérito, mas já temos uma investigação em curso”.
No mesmo dia, no entanto, Rodrigues declarou que não havia “nenhum indicativo concreto de interferência internacional”. Em 7 de outubro, a PF arquivou a apuração preliminar. Os advogados de Flávio destacam que a legislação proíbe o uso de serviços ou dependências de repartições públicas para favorecer organizações políticas. Segundo a defesa, o anúncio oficial no dia do pleito, amplamente veiculado pela imprensa, gerou impacto político à candidatura sem lastro probatório. Para os advogados, Rodrigues “levou essa narrativa ao eleitor, em coletiva oficial, no dia da votação, com evidente aptidão para influenciar a opinião do eleitorado contra o Noticiante [Flávio]”.
“Se não havia o que apurar, restava apenas o que divulgar. E a divulgação, no dia do primeiro turno, só aproveitava a um partido: o Partido dos Trabalhadores”, diz um trecho da notícia-crime. A defesa ressalta ainda a linha do tempo que antecedeu o anúncio: em 1º de outubro, a AGU protocolou representação com base em reportagem do jornal britânico The Guardian, que mencionava debate no Departamento de Estado norte-americano sobre a alocação de US$ 1 milhão para um programa sobre o Brasil, sem repasse efetivo de verbas. Em 4 de outubro, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nunes Marques, declarou que a Justiça Eleitoral não recebeu nenhum indicativo concreto de interferência internacional. A Procuradoria-Geral da República (PGR) arquivou o pedido da AGU por falta de elementos mínimos de prova, e, em 7 de outubro, a própria PF arquivou o procedimento prévio por ausência de justa causa, após despachos da Diretoria de Inteligência Policial e da Corregedoria-Geral.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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Por Redação