Magalu salta 61% e lidera Ibovespa em setembro: por que disparou e o que vem agora?
O Magazine Luiza (MGLU3) encerrou setembro como a ação de melhor desempenho do Ibovespa, com alta de 61,47%, a R$ 7,46, em um mês em que o próprio índice avançou 5,03%. O movimento coroou uma virada expressiva do humor dos investidores em relação à varejista, impulsionada por uma combinação de fatores macroeconômicos e notícias corporativas.
Entre os catalisadores está o chamado "trade de juros". Com a Selic reduzida a 13,75% após cinco cortes consecutivos do Banco Central, investidores voltaram a procurar ações ligadas ao consumo e ao crédito. Segundo o JPMorgan, uma Selic 1 ponto percentual abaixo do cenário-base elevaria em cerca de 10% o lucro projetado do Magalu para 2028 — impacto bem superior ao estimado para outras varejistas analisadas. A expectativa em torno das eleições ampliou o movimento, já que o setor negocia com valuations deprimidos e pode ser reprecificado caso o resultado das urnas reduza a percepção de risco fiscal.
O impulso mais evidente veio do acordo anunciado no início de setembro com o Mercado Livre, que amplia a distribuição dos produtos do Magalu na plataforma. A parceria ataca uma fragilidade recente: no segundo trimestre, as vendas online caíram cerca de 12%, enquanto as lojas físicas cresceram 10,3%. A S&P reafirmou a nota de crédito do Magalu em "brAA-" e disse esperar recuperação gradual das vendas, sustentada pela parceria e pela menor concorrência após o fechamento de lojas da Casas Bahia. A agência, porém, revisou para baixo as projeções para 2026 e passou a estimar dívida líquida/Ebitda perto de 4 vezes no fim deste ano, ante 3,6 vezes anteriormente. A Anvisa também revogou medida preventiva que proibia a empresa de comercializar determinados medicamentos.
Apesar do rali, analistas pregam cautela. O JPMorgan avalia que parte importante desse cenário já foi incorporada às cotações e mantém recomendação underweight para MGLU3, chamando a atenção para a qualidade dos lucros — segundo o banco, quase todo o lucro da empresa depende de incentivos tributários. A instituição vê relações de risco e retorno mais interessantes em C&A e Riachuelo, com recomendação overweight, e em Lojas Renner, neutra. Há ainda uma nuance na tese de juros menores: a queda das taxas reduz despesas financeiras e estimula a demanda por bens duráveis, mas também pode diminuir os ganhos financeiros embutidos nas vendas, pressionando margens brutas.
Os próximos resultados terão que mostrar se os catalisadores migraram de fato para vendas, margens e geração de caixa. No segundo trimestre, o Magalu registrou prejuízo líquido ajustado de R$ 50,4 milhões, queda de 2,6% da receita líquida e retração de 5,1% nas vendas totais, com margem Ebitda ajustada em torno de 8%. Entre os indicadores no radar estão a recuperação das vendas online, a trajetória das margens, a redução gradual do endividamento e o desempenho da Luizacred. Black Friday e vendas de fim de ano serão testes relevantes. O JPMorgan alerta ainda para dificuldades no consumo em 2027, diante de endividamento elevado das famílias, peso do serviço da dívida, inadimplência crescente e crédito caro.
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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Por Redação