O que Renato Russo estaria fazendo hoje? Companheiros de Legião Urbana falam do amigo, 30 anos depois de sua morte
Trinta anos após a morte de Renato Russo, a influência do cantor e compositor segue presente na música brasileira. Líder da Legião Urbana e autor de algumas das canções mais marcantes do rock nacional, ele continua sendo lembrado não apenas pela obra que deixou, mas também pela personalidade e pela forma como enxergava o mundo.
Em reportagem exibida pelo Fantástico, os músicos Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, parceiros de Renato na Legião Urbana, relembraram histórias do amigo e refletiram sobre o legado que atravessa gerações. Descrito pelos companheiros como alguém de vasta cultura e senso crítico apurado, Renato era, nas palavras de Dado, uma espécie de "livraria absurda de textos e música". Bonfá destacou o humor refinado e a inteligência do cantor, características que ajudaram a moldar uma das obras mais influentes da música brasileira.
Carioca criado em Brasília, Renato transformou experiências pessoais, reflexões políticas e questões existenciais em letras que continuam encontrando novos ouvintes décadas depois. Canções como "Tempo Perdido", "Pais e Filhos", "Eduardo e Mônica" e "Faroeste Caboclo" seguem entre as mais conhecidas do repertório do grupo. Para Dado, a permanência dessas músicas está ligada à capacidade do compositor de escrever sobre temas universais, buscando letras que pudessem ser compreendidas em diferentes épocas e lugares, sem referências excessivamente datadas. A força da conexão com o público também foi lembrada: no palco, segundo Bonfá, ele tinha um poder de comunicação raro. "Parecia que ele estava cantando para você", recordou.
Ao longo da entrevista, os dois destacaram que a Legião Urbana deixou uma obra com relevância ética, estética, poética e cultural, capaz de dialogar com diferentes momentos da sociedade brasileira. Para Bonfá, a lembrança de Renato permanece viva não apenas entre amigos e familiares, mas também entre milhões de admiradores que continuam redescobrindo suas músicas.
Renato Russo morreu em 11 de outubro de 1996, aos 36 anos, vítima de complicações decorrentes da aids. Questionado sobre o que imaginava para o amigo caso ele estivesse vivo, Bonfá não hesitou: para o músico, Renato seguiria fazendo aquilo que mais amava. "Ele estaria fazendo o que ele sempre fez melhor, que é compor, fazer músicas e cantar", afirmou. Três décadas depois, suas composições continuam ocupando espaço em playlists, programas de TV e apresentações musicais — reforçando a ideia repetida ao longo da reportagem: o artista pode ser mortal, mas a arte permanece.
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Por Redação