Portugal. Dom Pedro Fernandes: “Quem diz que os imigrantes são um problema está a mentir”
O bispo de Portalegre-Castelo Branco, Dom Pedro Fernandes, afirmou que “quem diz que os imigrantes são um problema está a mentir”. A declaração foi dada em entrevista à Renascença e à Agência Ecclesia, às vésperas do Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, celebrado em 27 de setembro. Dom Pedro Fernandes preside a Comissão Episcopal da Mobilidade Humana.
Segundo o bispo, os discursos de ódio e a manipulação de dados sobre a população imigrante estão ligados a uma visão extremista de discriminação, xenofobia e racismo, associada sobretudo a forças ideológicas de extrema-direita. Ele ressalvou, no entanto, que essas formas extremas não podem ser generalizadas: na avaliação dele, a sociedade portuguesa é “tendencialmente tolerante”, aberta e com longa tradição de integração e de boa articulação das diversidades.
O que considera potencialmente mais preocupante é o avanço de um sentimento difuso de medo e insegurança nas sociedades ocidentais contemporâneas. Esse clima, disse, alimenta a busca por causas fáceis e por bodes expiatórios, abrindo espaço para discursos populistas e para forças que buscam o poder a qualquer custo.
Na entrevista, Dom Pedro Fernandes recordou os quatro verbos do Papa Francisco na encíclica Fratelli tutti para orientar o tratamento da imigração: acolher, proteger, promover e integrar. Ele detalhou que acolher significa abrir caminhos legais e seguros, facilitar vistos humanitários, simplificar a burocracia para vistos de trabalho e estudo e criar corredores humanitários. Proteger envolve garantir direitos fundamentais e a dignidade dos migrantes na viagem e na chegada. Promover é dar ferramentas para que se realizem como pessoas e contribuam de forma construtiva nas sociedades de acolhimento. Integrar, por fim, significa promover o encontro cultural e a inserção de pessoas de diferentes origens, inclusive por meio do reagrupamento familiar.
O bispo destacou ainda o papel da Igreja no acompanhamento dessa população vulnerável. Segundo ele, é fundamental denunciar o que não promove a vida e a dignidade humana, o que exige estar bem informado e ler a realidade à luz do Evangelho e da doutrina da Igreja. Ele citou o trabalho de organismos como a Obra Católica das Migrações, o Serviço Jesuíta aos Refugiados, o Centro Padre Alves Correia e a Cáritas, e defendeu que a Igreja hierárquica esteja ao lado dessas associações e lhes dê voz. Entre os desafios apontados estão a desconstrução de discursos de ódio e de informações distorcidas e a formação de animadores pastorais e lideranças.
Esta matéria foi publicada primeiro em Religião · Vatican News PT e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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Por Redação